São Paulo investe em tecnologia para transformar batata-doce em combustível

São Paulo investe em tecnologia para transformar batata-doce em combustível

Geral

O governo de São Paulo deu um passo estratégico para diversificar a matriz energética do estado ao formalizar, nesta quinta-feira (23), uma parceria voltada ao desenvolvimento de cultivares industriais de batata-doce. O anúncio, realizado durante a abertura da Batatec 2026, em Presidente Prudente, marca uma nova fase para a cultura, que passa a ser vista não apenas como alimento, mas como uma matéria-prima promissora para a produção de etanol e biometano.

Pesquisa científica impulsiona o rendimento industrial

A cooperação técnica foi firmada entre a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do Instituto Agronômico (IAC-Apta), e a Agropecuária Vista Alegre, braço do Grupo Better Beef. O objetivo central é unir a expertise do IAC em melhoramento genético com as necessidades práticas do setor industrial. A expectativa é que, ao ajustar as características agronômicas da planta, seja possível elevar significativamente a eficiência na conversão da raiz em biocombustíveis.

Os pesquisadores estão focados em desenvolver variedades que apresentem maior teor de matéria seca e amido, além de uma produtividade mais robusta. Para o setor sucroenergético e de biogás, a uniformidade das raízes e o aproveitamento integral da biomassa — incluindo resíduos do processamento — são fundamentais para viabilizar a produção em escala comercial e garantir a sustentabilidade do ciclo produtivo.

Integração com assentamentos e desenvolvimento regional

O projeto possui um forte componente social ao integrar a pesquisa de ponta com a realidade dos assentamentos rurais do Oeste Paulista. A iniciativa complementa um protocolo de intenções firmado anteriormente com a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), que prevê o cultivo de 150 hectares de batata-doce destinados exclusivamente à bioenergia, além de 80 hectares de eucalipto para biomassa. Estima-se que cerca de 45 lotes rurais sejam beneficiados, promovendo a geração de renda e a inclusão de pequenos produtores na cadeia de valor da energia renovável.

Liderança paulista no cenário nacional

São Paulo mantém a posição de maior produtor de batata-doce do Brasil, um mercado que movimentou R$ 183,95 milhões em 2025, com uma colheita total de 149,5 mil toneladas. A região de Presidente Prudente é o coração dessa atividade, sendo responsável por mais da metade do valor gerado no estado. Com cerca de 180 produtores distribuídos em municípios como Pirapozinho e Martinópolis, a região possui a infraestrutura necessária para absorver as inovações tecnológicas que estão sendo apresentadas na Batatec 2026.

Inovação e futuro na Batatec 2026

A feira, que ocorre entre os dias 23 e 26 de julho no Centro de Eventos do IBC, tornou-se o palco principal para a disseminação dessas novas tecnologias. Além das cultivares industriais, o IAC aproveita o evento para expor avanços em biofortificação, como a variedade IAC Dom Pedro II, que se destaca pelo alto teor de carotenoides. O evento reforça o papel do estado como um polo de inovação agrícola, onde a sustentabilidade e a eficiência caminham juntas para fortalecer o agronegócio paulista.

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Fonte: canalrural.com.br