A Simpar (SIMH3), holding que controla gigantes como JSL e Movida, anunciou um movimento estratégico decisivo para o seu balanço financeiro. Em fato relevante enviado ao mercado nesta quinta-feira (23), a companhia confirmou a venda da totalidade da HSIM Participações, controladora da CS Porto Aratu, para a multinacional ICTSI Americas. A transação, avaliada em R$ 1,8 bilhão, marca um capítulo importante na gestão de capital do grupo, que busca acelerar a redução de sua alavancagem financeira.
O negócio envolve uma estrutura que combina o valor do ativo e a transferência de dívida líquida, projetada em R$ 1 bilhão para o primeiro trimestre de 2026. O pagamento aos cofres da Simpar será composto por R$ 650 milhões na conclusão da operação e uma parcela variável de R$ 100 milhões, atrelada a metas de desempenho (earn-out) a serem cumpridas em um prazo de 18 meses. A concretização da venda ainda depende de trâmites regulatórios habituais, incluindo o crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Estratégia de desinvestimento e foco em infraestrutura
A venda da CS Porto Aratu, um hub estratégico para o escoamento de granéis sólidos, não é um movimento isolado. A Simpar tem adotado uma postura de monetização de ativos para otimizar sua estrutura de capital após um período de expansão acelerada. A empresa, fundada pelo imigrante português Júlio Simões e hoje sob o comando de seu filho, Fernando Antônio Simões, tem demonstrado disciplina na alocação de recursos, reinvestindo o valor gerado em suas operações core, como logística e mobilidade.
Analistas de mercado, como os do Itaú BBA, destacam que a administração tem obtido sucesso ao destravar valor em ativos de infraestrutura. O histórico recente corrobora essa visão: em agosto do ano passado, a holding vendeu a Ciclus Rio para a Aegea por R$ 1,9 bilhão e, mais recentemente, alienou 45% da Ciclus Amazônia por R$ 121,5 milhões. Essas operações, somadas ao recente aumento de capital que captou R$ 1,76 bilhão com apoio do BNDESPar, desenham um cenário de desalavancagem consistente.
Desempenho operacional e saúde financeira
Embora a companhia tenha reportado um prejuízo líquido de R$ 179,6 milhões no primeiro trimestre deste ano — um resultado pressionado por custos financeiros —, o desempenho operacional segue robusto. O Ebitda ajustado atingiu R$ 3,22 bilhões, um crescimento de 14,3% na comparação anual, enquanto a receita líquida avançou 6,1%, alcançando R$ 11,08 bilhões.
O indicador de alavancagem, medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda, recuou para 2,8 vezes, o patamar mais baixo dos últimos 15 anos da empresa. Com a entrada dos recursos da venda do porto, a expectativa de instituições financeiras, como o Santander, é que a dívida da companhia sofra uma redução significativa, fortalecendo a liquidez e preparando o terreno para os próximos ciclos de investimento do grupo.
O mercado agora volta suas atenções para o próximo balanço trimestral, com divulgação agendada para o dia 14 de agosto, quando será possível avaliar com mais clareza os impactos dessas movimentações na estrutura de capital da holding. Para continuar acompanhando as atualizações sobre o setor de logística e os movimentos das grandes empresas brasileiras, siga conectado ao Conexrs, sua fonte de informação qualificada e contextualizada sobre o que movimenta a economia nacional.
Fonte: seudinheiro.com
