Violência letal recua no Rio Grande do Sul enquanto feminicídios registram alta em 2025

Violência letal recua no Rio Grande do Sul enquanto feminicídios registram alta em 2025

DESTAQUES Rio Grande do Sul

O cenário da segurança pública no Rio Grande do Sul apresentou um contraste marcante ao longo de 2025. Enquanto o estado celebrou uma queda expressiva de 25,7% nas Mortes Violentas Intencionais (MVI), atingindo o menor patamar da série histórica iniciada em 2012, os crimes de gênero seguiram uma trajetória oposta e preocupante. O aumento de 9,5% nos casos de feminicídio acende um alerta para as autoridades e para a sociedade gaúcha sobre a persistência da violência doméstica.

Os dados, extraídos do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, revelam que o Rio Grande do Sul contabilizou 1.266 mortes violentas em 2025, contra 1.704 no ano anterior. Essa redução de 438 vítimas posicionou o estado como a segunda unidade da federação com a maior queda proporcional no país, superado apenas pelo Amazonas. A taxa de MVI no território gaúcho recuou de 15,2 para 11,3 mortes por 100 mil habitantes, um desempenho superior à média nacional, que registrou diminuição de 8,2%.

Desempenho dos indicadores de criminalidade

A categoria de Mortes Violentas Intencionais engloba homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e óbitos decorrentes de intervenções policiais. A análise detalhada mostra que o principal motor da queda foi a redução expressiva nos homicídios dolosos, que passaram de 1.491 para 1.117 vítimas. As mortes em decorrência de intervenções policiais também apresentaram um declínio acentuado, caindo de 147 para 76 casos, uma redução de 48,3%.

Por outro lado, o indicador de lesões corporais seguidas de morte apresentou um leve aumento, saltando de 35 para 43 vítimas. Embora o número de latrocínios tenha se mantido praticamente estável, com uma queda simbólica de 31 para 30 registros, o conjunto dos dados reflete uma mudança na dinâmica da criminalidade letal no estado, que se tornou menos frequente, mas ainda desafiadora em esferas específicas.

O desafio persistente da violência de gênero

Apesar do sucesso nas políticas de redução da criminalidade geral, o combate ao feminicídio permanece como um ponto crítico. Em 2025, o estado registrou 80 vítimas de feminicídio, um aumento em relação às 73 contabilizadas no ano anterior. O dado mais alarmante é a proporção desses crimes no total de homicídios de mulheres: quase metade das vítimas — 48,2% — perdeu a vida em contextos de violência de gênero, um salto significativo em comparação aos 36,1% registrados em 2024.

O crescimento não se limitou aos casos consumados. As tentativas de feminicídio subiram 11,8%, totalizando 264 ocorrências. Além disso, o descumprimento de medidas protetivas de urgência atingiu a marca de 13.891 registros, um aumento de 16% que evidencia a dificuldade do Estado em garantir a eficácia das ordens judiciais de proteção às mulheres em situação de risco.

Contexto e proteção às vítimas

A análise do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que, embora o número de mulheres mortas com medidas protetivas ativas tenha caído de 12 para 8, o volume total de descumprimentos sugere que a rede de proteção ainda enfrenta gargalos operacionais. A alta nos feminicídios, mesmo com a queda da criminalidade geral, reforça a necessidade de políticas públicas que transcendam o policiamento ostensivo e avancem na prevenção primária e no suporte psicológico e social às vítimas.

O Conexrs segue acompanhando os desdobramentos das políticas de segurança pública no Rio Grande do Sul. Nosso compromisso é levar até você uma análise aprofundada e contextualizada sobre os temas que impactam o dia a dia dos gaúchos, mantendo o rigor jornalístico e a credibilidade na apuração dos fatos. Continue conosco para se manter bem informado sobre o cenário estadual e nacional.

Fonte: agorars.com