Drones e inteligência artificial aceleram seleção de milho resistente à seca com 90% de precisão

Drones e inteligência artificial aceleram seleção de milho resistente à seca com 90% de precisão

DESTAQUES Tecnologia

A busca por cultivares mais resilientes aos extremos climáticos ganhou um aliado tecnológico fundamental. Pesquisadores do Centro de Pesquisa em Genômica Aplicada às Mudanças Climáticas (GCCRC) desenvolveram um método inovador que utiliza drones, sensores multiespectrais e inteligência artificial para identificar, diretamente no campo, plantas de milho com maior tolerância à escassez de água.

O avanço promete transformar os programas de melhoramento genético, que tradicionalmente dependem de medições manuais exaustivas com réguas, balanças e equipamentos de fisiologia vegetal. Ao automatizar a triagem de materiais genéticos, a nova tecnologia não apenas acelera o processo de seleção, mas também amplia a escala de análise, permitindo que cientistas avaliem um número muito maior de linhagens em menos tempo.

Precisão tecnológica na seleção de híbridos

O estudo, conduzido em Campinas (SP), acompanhou o desenvolvimento de 28 híbridos de milho geneticamente modificados pelo GCCRC. Durante dois anos, as plantas foram submetidas a condições controladas de irrigação e de restrição hídrica. Enquanto a equipe realizava as avaliações agronômicas convencionais — como a medição da altura das plantas, o peso dos grãos e o tempo de florescimento —, drones sobrevoavam a área experimental capturando imagens em alta resolução.

A inteligência artificial foi treinada para reconhecer padrões de tolerância ao estresse hídrico a partir dessas imagens. O resultado superou as expectativas, com o modelo alcançando taxas de acerto superiores a 90%. Segundo Helcio Pereira, responsável pelo desenvolvimento da técnica durante seu pós-doutorado, o sistema aprende a identificar quais materiais mantêm a produtividade mesmo sob condições adversas, permitindo classificar novas amostras de forma ágil e precisa.

O papel dos sensores multiespectrais

Um diferencial técnico importante do projeto é o uso de sensores multiespectrais. Diferente das câmeras convencionais, que captam apenas o espectro visível, esses dispositivos registram a banda do infravermelho próximo (NIR). Essa tecnologia revela alterações fisiológicas nas plantas que são invisíveis ao olho humano, mas que indicam claramente o nível de estresse hídrico sofrido pela cultura.

A pesquisadora Juliana Yassitepe, do GCCRC e da Embrapa Agricultura Digital, destaca que a coleta de dados em momentos estratégicos — como o florescimento e o enchimento de grãos — é crucial. A análise demonstrou que apenas seis voos bem distribuídos ao longo do ciclo da cultura são suficientes para fornecer as informações necessárias para diferenciar os materiais genéticos com alta confiabilidade.

Perspectivas para o futuro do agronegócio

A metodologia desenvolvida em São Paulo possui um potencial de escalabilidade significativo. Além de otimizar o desenvolvimento de variedades de milho mais resistentes, a técnica pode ser calibrada para outras culturas e finalidades, como a identificação precoce de plantas resistentes a pragas ou doenças. A flexibilidade do modelo permite que pesquisadores adaptem os parâmetros de análise conforme as necessidades específicas de cada cultivar.

Com as mudanças climáticas impondo desafios cada vez maiores à produtividade agrícola, a integração entre genômica e sensoriamento remoto surge como um pilar essencial para a segurança alimentar. O Conexrs segue acompanhando as inovações que moldam o futuro do campo e da tecnologia no Brasil, trazendo sempre informações apuradas e relevantes para o setor produtivo. Continue conectado ao nosso portal para se manter atualizado sobre as transformações que impulsionam o agronegócio nacional.

Fonte: canalrural.com.br