A grandiosidade de A Odisseia, a mais recente aposta cinematográfica que revisita o clássico poema de Homero, não se limita apenas ao roteiro ou à direção de Christopher Nolan. Em uma escolha que priorizou a autenticidade geográfica em detrimento de recursos digitais, a produção percorreu desertos, falésias e ilhas em cinco países diferentes. Esse rigor técnico, registrado integralmente com câmeras IMAX, transformou locações reais em um mapa de desejo para viajantes de alto padrão, dando fôlego a uma tendência consolidada no mercado global: o set-jetting.
O fenômeno, que consiste na escolha de destinos turísticos baseada em cenários de filmes e séries, ganha contornos de exclusividade com o lançamento de roteiros náuticos inspirados na jornada de Ulisses. A operadora britânica Pelorus, por exemplo, estruturou uma expedição de 14 noites que atravessa o Mediterrâneo, com valores que partem de 75 mil libras — aproximadamente R$ 509 mil na cotação atual. O pacote oferece uma imersão que vai além da contemplação visual, incluindo traslados de helicóptero, jantares temáticos e o acompanhamento de historiadores especializados em mitologia grega.
A ascensão do set-jetting no turismo global
O interesse despertado pela produção de Nolan reflete uma mudança no comportamento do viajante contemporâneo. Dados da plataforma Civitatis indicam que produções de grande escala impactam diretamente a demanda por destinos específicos. Segundo Alexandre Oliveira, country manager da empresa no Brasil, o sucesso de A Odisseia reside no fato de que o diretor não criou cenários fictícios, mas utilizou locais acessíveis que servem como porta de entrada para roteiros históricos já existentes.
A relevância desse movimento é corroborada por pesquisas de mercado. Um levantamento da Get Your Guide aponta que 77% dos entrevistados considerariam visitar um destino após vê-lo em alguma obra audiovisual. O engajamento é ainda maior entre o público americano, com 84% de adesão, seguido pelos britânicos, com 81%. Esse comportamento demonstra que a cultura pop atua como um dos principais motores de decisão para o setor de viagens de luxo e turismo de experiência.
Geografia da epopeia: dos desertos à costa europeia
A jornada cinematográfica de A Odisseia é um mosaico de paisagens que atravessa continentes. No Marrocos, a cidadela de Aït Benhaddou, reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco, foi convertida na mítica Troia. O local, frequentemente chamado de “Hollywood da África”, já serviu de palco para produções consagradas como Gladiador. Já a cidade costeira de Essaouira foi o cenário escolhido para as sequências envolvendo o Cavalo de Troia.
Na Grécia, a produção focou na península do Peloponeso, região central para a mitologia clássica. Locais como a Caverna de Nestor, o Castelo de Methoni e a praia de Voidokilia foram integrados à narrativa, trazendo uma camada de veracidade histórica ao filme. A Sicília, na Itália, foi o cenário eleito para representar Ítaca, com a ilha de Favignana e seu imponente Castello di Santa Caterina servindo como o palácio de Ulisses.
Para retratar o submundo de Hades, a equipe de produção buscou a dramaticidade da Islândia. As praias de areia negra, campos de lava e penhascos da costa sul, iluminados pelo sol da meia-noite, conferiram o tom sombrio e épico necessário para a descida ao reino dos mortos. A diversidade desses cenários reforça o apelo da obra, que convida o público a transitar entre o mito e a realidade geográfica.
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Fonte: seudinheiro.com
