Dólar encerra pregão em alta e atinge maior cotação em duas semanas

Dólar encerra pregão em alta e atinge maior cotação em duas semanas

DESTAQUES Economia

Pressão cambial e cautela dos investidores

O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana sob tensão, com o dólar à vista registrando alta de 0,62% nesta segunda-feira (27). A moeda americana encerrou o dia cotada a R$ 5,1122, atingindo o patamar mais elevado das últimas duas semanas. O movimento de valorização do dólar frente ao real destoou de um cenário global que, em outros aspectos, apresentava sinais de maior estabilidade.

Entre os fatores que impulsionaram a cotação, destaca-se a forte queda de 6,33% no preço do petróleo tipo Brent, que fechou a US$ 85,87 por barril. A commodity é um dos principais termômetros para moedas de países exportadores de recursos naturais, e sua desvalorização impactou diretamente a percepção de risco sobre o real. Além disso, o ambiente de incerteza política interna e a proximidade de decisões cruciais nos Estados Unidos mantiveram os investidores em estado de alerta.

Expectativas pelo Federal Reserve

O foco central dos agentes econômicos está voltado para a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), braço do Federal Reserve (Fed), marcada para esta quarta-feira (29). Analistas do mercado global, como Matthew Ryan, da Ebury, apontam que a expectativa é de que o banco central americano mantenha a porta aberta para possíveis aumentos de juros em setembro.

Essa postura cautelosa do Fed gera um efeito cascata nos mercados emergentes. Quando há sinalização de juros altos nos Estados Unidos por um período prolongado, o capital tende a migrar para a segurança da moeda americana, pressionando o câmbio em países como o Brasil. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes, operou com leve alta de 0,04% no dia.

Fatores internos e o cenário político

Para além dos indicadores externos, o cenário doméstico também contribui para a volatilidade. O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, destacou que a polarização política e a definição de candidaturas presidenciais têm gerado ruídos que afetam a confiança do mercado. Esse clima de indefinição, somado a pesquisas eleitorais, cria um ambiente onde o investidor prefere a proteção do dólar.

João Oliveira, da Moneycorp, observou que a alta desta segunda-feira também pode ser interpretada como um ajuste técnico. Após o dólar oscilar entre R$ 5,04 e R$ 5,08 na última sexta-feira, muitos investidores aproveitaram o momento para realizar lucros ou zerar posições, o que acelerou a subida da cotação. Apesar do avanço diário, a moeda ainda acumula queda de 0,98% em julho e de 6,86% no acumulado do ano.

Agenda econômica e próximos passos

O mercado segue atento aos indicadores que serão divulgados nesta terça-feira (28). Às 8h30, o Banco Central apresenta os dados do setor externo de junho, com projeção de déficit de US$ 2,3 bilhões nas transações correntes. Logo depois, às 9h, o IPCA-15 de julho deve trazer pistas sobre o comportamento da inflação, com expectativa de desaceleração para 0,21%.

Para investidores e empresas, o momento exige monitoramento constante das variáveis macroeconômicas. Acompanhe as atualizações diárias no Conexrs para entender como esses movimentos cambiais impactam a economia real e o seu dia a dia. Nosso compromisso é levar a você informação precisa, contextualizada e relevante sobre o que move o Brasil e o mundo.

Fonte: canalrural.com.br