O mercado brasileiro de soja iniciou a semana sob pressão, refletindo um movimento de baixa vindo do cenário internacional. Com o ritmo de negociações lento na maior parte das regiões produtoras, os preços internos recuaram, embora a desvalorização tenha sido parcialmente contida por fatores cambiais e pela dinâmica dos prêmios de exportação.
Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, a forte queda registrada na Bolsa de Chicago (CBOT) foi o principal motor do ajuste negativo no Brasil. No entanto, a alta do dólar frente ao real e o fortalecimento dos prêmios de exportação atuaram como um amortecedor, impedindo uma queda mais drástica nas cotações locais. Em média, o recuo nas praças brasileiras ficou na casa de R$ 2,00 por saca, em um dia marcado por baixo volume de negócios.
Impacto da volatilidade em Chicago e nos preços internos
A Bolsa de Chicago, referência global para a commodity, encerrou o pregão com perdas próximas de 3%. O movimento foi impulsionado por uma intensa realização de lucros, após a soja atingir, na semana anterior, os maiores patamares de preço em mais de dois anos. Além disso, a queda acentuada nos preços do petróleo, motivada pela expectativa de novas negociações entre Irã e Estados Unidos, pressionou todo o complexo de commodities.
Mesmo com o anúncio de vendas externas — incluindo 132 mil toneladas para a China e 126 mil toneladas para destinos não revelados —, o mercado não encontrou fôlego para sustentar os preços. O setor agora volta suas atenções para o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que deve trazer dados sobre as condições das lavouras americanas, com expectativa de redução na qualidade das áreas devido ao calor intenso no cinturão produtor.
Variação das cotações nas principais praças
O reflexo da instabilidade externa foi sentido de forma generalizada no território nacional. Em Passo Fundo (RS), a saca passou de R$ 144,00 para R$ 142,00, enquanto em Santa Rosa (RS) o valor recuou de R$ 145,00 para R$ 143,00. No Paraná, a praça de Cascavel registrou queda de R$ 138,00 para R$ 137,00, e em Paranaguá o preço fechou em R$ 148,99.
No Centro-Oeste, o cenário foi similar. Rondonópolis (MT) teve baixa para R$ 131,00, Dourados (MS) recuou para R$ 129,00 e Rio Verde (GO) fechou o dia cotado a R$ 132,00. No Rio Grande (RS), o preço caiu de R$ 150,00 para R$ 148,00.
Comportamento dos contratos futuros e câmbio
Os contratos futuros com entrega em agosto fecharam a US$ 12,08 1/2 por bushel, uma queda de 3,16%. A posição para novembro encerrou a US$ 12,13 3/4 por bushel, com retração de 3,17%. O farelo de soja para setembro também acompanhou a tendência, caindo 3,17%, enquanto o óleo de soja registrou uma baixa mais acentuada, de 3,56%.
No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em alta de 0,62%, cotado a R$ 5,1123 para venda. A valorização da moeda norte-americana foi um dos poucos fatores que impediram uma queda ainda mais expressiva para o produtor brasileiro, que, apesar da pressão, segue atento aos próximos desdobramentos climáticos e geopolíticos que definem o ritmo das exportações.
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Fonte: canalrural.com.br
