SUS planeja incluir injeção de prevenção ao HIV no sistema público até o fim do ano

SUS planeja incluir injeção de prevenção ao HIV no sistema público até o fim do ano

Saúde

O Brasil está prestes a dar um passo significativo no combate à epidemia de HIV. O Ministério da Saúde prepara o envio, para a próxima semana, de um pedido formal à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec) para a inclusão da profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável no portfólio de serviços do sistema público. A expectativa é que o medicamento, que oferece proteção prolongada, possa estar disponível para a população ainda em 2026.

A tecnologia em questão é o cabotegravir, um fármaco capaz de impedir a replicação do vírus com uma periodicidade de aplicação a cada dois meses. A medida visa fortalecer a estratégia de prevenção no país, que atualmente já disponibiliza a PrEP oral, mas enfrenta o desafio da adesão diária ao tratamento por parte dos usuários.

A estratégia de negociação e o impasse com o lenacapavir

Durante a abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o governo busca um equilíbrio entre a inovação tecnológica e a sustentabilidade financeira do SUS. Segundo o ministro, o governo tem mantido negociações com a farmacêutica GSK, fabricante do cabotegravir, para garantir um preço que não comprometa o orçamento público.

O cenário, contudo, não é homogêneo para todas as novas tecnologias. O governo brasileiro descartou, no momento, a incorporação do lenacapavir, outra opção de PrEP injetável com eficácia de seis meses. Padilha classificou o valor ofertado pela fabricante como “inviável” e “estratosférico”. O Brasil chegou a oferecer um valor até 10 vezes superior ao praticado em países como Tailândia e Indonésia, mas a proposta foi recusada pela indústria.

“Não vamos drenar o recurso dos impostos dos cidadãos brasileiros pelo interesse de lucro de uma empresa”, afirmou o ministro. A exclusão do Brasil do acordo de licenciamento voluntário da Gilead, que permite a produção de genéricos do lenacapavir em 120 países, gerou críticas de órgãos como o Unaids, que defende a ampliação global do acesso a essa tecnologia considerada central para o controle da epidemia.

Adesão e eficácia como pilares da nova tecnologia

A transição para a versão injetável da PrEP é vista por especialistas como uma solução para a “lacuna de adesão” observada na versão oral. Embora o SUS já tenha atendido mais de 350 mil pessoas com os comprimidos diários, a necessidade de disciplina rigorosa no uso do medicamento é um obstáculo frequente para muitos pacientes.

Estudos recentes reforçam a preferência pela nova modalidade. Uma pesquisa da Fiocruz, realizada com 1,4 mil voluntários em seis cidades brasileiras, revelou que 83% dos participantes preferem a injeção ao tratamento oral. Além disso, a taxa de comparecimento às unidades de saúde para a manutenção do ciclo de injeções atingiu 94%, garantindo a proteção contínua dos indivíduos. Nos testes realizados, a eficácia foi expressiva, com uma taxa anual de infecção pelo HIV de apenas 0,1%.

O Conitec, órgão independente responsável por avaliar o custo-benefício de novas tecnologias, será o responsável por analisar a proposta do governo. A decisão final sobre a incorporação caberá ao Ministério da Saúde, que segue monitorando as possibilidades de transferência de tecnologia, inclusive com memorandos de entendimento explorados junto à Fundação Oswaldo Cruz para futuras parcerias produtivas.

O Conexrs segue acompanhando de perto os desdobramentos desta pauta fundamental para a saúde pública brasileira. Continue conosco para se manter informado sobre as políticas de saúde, avanços científicos e os impactos das decisões governamentais no cotidiano da população.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br