O momento delicado de Gianni Infantino na presidência da Fifa
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, atravessa um dos períodos mais conturbados de sua gestão de dez anos à frente da entidade máxima do futebol mundial. O dirigente, que ascendeu ao poder no rastro de escândalos de corrupção que derrubaram a cúpula anterior, viu-se forçado a emitir um pedido de desculpas à chamada “família Fifa” após o fracasso de uma proposta ambiciosa e controversa: a terceirização de parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo.
A iniciativa, batizada de Fifa Forward Entreprise (FFE), previa a entrega de 20% dos direitos comerciais do torneio a investidores privados. O recuo, confirmado por meio de uma carta enviada aos membros da organização, marca um ponto de inflexão para um dirigente que, historicamente, pautou sua trajetória pela expansão acelerada e pela centralização de decisões, muitas vezes ignorando as resistências internas.
Antecedentes e a sombra do passado na entidade
A trajetória de Infantino é marcada pelo contraste com a era de Joseph Blatter. Enquanto o antecessor operava sob uma estrutura de poder que ruiu com a intervenção do FBI em 2015, Infantino assumiu em 2016 com a promessa de restaurar a credibilidade da instituição. Suas reformas incluíram a descentralização das escolhas de sedes dos Mundiais e a limitação de mandatos presidenciais.
No entanto, a gestão atual tem sido alvo de críticas por sua aproximação com figuras políticas globais e por estratégias que remetem ao modelo de João Havelange, focadas na maximização de receitas através da influência política e do controle de votos das federações. A tentativa de privatização dos direitos da Copa foi vista por críticos como uma “linha vermelha” cruzada, gerando um motim silencioso, especialmente entre as federações europeias.
Repercussão e o futuro do comando
Embora Infantino tenha conseguido conter, por ora, a insurreição interna, o desgaste político é evidente. A oposição, concentrada majoritariamente na Europa, questiona a transparência e a legitimidade dos novos modelos de negócio propostos. Enquanto isso, outras confederações, como a CAF (África) e a Conmebol (América do Sul), mantêm posições mais cautelosas ou de suporte, refletindo a complexa teia de interesses que sustenta o poder na Fifa.
Apesar da crise, o dirigente ainda é considerado o favorito para um eventual quarto mandato em 2027. A ausência de um nome de consenso para substituí-lo, somada à distribuição de vultosos recursos financeiros para programas de desenvolvimento — que somaram 2,25 bilhões de euros entre 2023 e 2026 —, garante a Infantino uma base de apoio sólida em nações menores, que dependem diretamente dos investimentos da entidade.
O impacto do modelo de gestão
A gestão Infantino transformou a Fifa em uma máquina de fazer dinheiro, mas também a aproximou de riscos reputacionais inéditos. A conexão de parceiros do projeto FFE com o círculo de influência de Donald Trump ilustra como a entidade se tornou um player central na geopolítica global. Para o torcedor, o impacto se traduz em um futebol cada vez mais comercializado, com torneios expandidos para 48 seleções e uma busca incessante por novos mercados.
O recuo no plano de privatização não encerra as dúvidas sobre o futuro da organização. Infantino, conhecido por sua fluência em sete idiomas e habilidade de negociação, precisará agora equilibrar a pressão por transparência com o desejo de manter o controle absoluto sobre a entidade. O Conexrs segue acompanhando os desdobramentos desta crise, trazendo sempre a análise precisa sobre os bastidores que moldam o esporte mais popular do planeta. Continue conosco para mais informações relevantes e atualizadas sobre o cenário esportivo mundial.
Fonte: noticiasaominuto.com.br
