O mercado brasileiro de mandioca vive um momento de forte valorização. De acordo com levantamentos realizados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os preços da raiz atingiram, em setembro de 2026, o maior patamar nominal desde fevereiro de 2025. O cenário é impulsionado por um desequilíbrio entre a oferta limitada no campo e a demanda aquecida por parte das indústrias de processamento.
Fatores climáticos e operacionais na colheita
O excesso de chuvas nas principais regiões produtoras tem sido o principal entrave para a regularização do abastecimento. A umidade elevada no solo dificulta o acesso de máquinas e equipes às lavouras, inviabilizando ou retardando as operações de colheita. Sem a capacidade de extrair o produto com a agilidade necessária, o volume de raízes que chega às unidades processadoras permanece abaixo do esperado.
Além das dificuldades logísticas, o clima impacta diretamente a qualidade e a programação industrial. As fábricas, que dependem de um fluxo constante de matéria-prima para manter suas linhas de produção operantes, enfrentam uma disputa acirrada pela disponibilidade imediata do produto. Esse cenário de escassez pontual acaba pressionando as cotações para cima em diversas praças monitoradas.
Resistência dos produtores e estratégia de mercado
Outro elemento que sustenta a alta dos preços é a postura dos agricultores. Muitos produtores têm demonstrado resistência em comercializar as raízes de primeiro ciclo neste momento. A estratégia, muitas vezes, está ligada à expectativa de melhores rendimentos futuros, caso as plantas permaneçam por mais tempo no solo, ou a uma cautela diante das incertezas climáticas que ainda pairam sobre as próximas safras.
Essa menor disposição para negociar reduz drasticamente a oferta disponível no mercado de curto prazo. Quando a oferta é contida e a procura industrial permanece firme, o resultado natural é a valorização da commodity. Para as indústrias, o desafio é encontrar um equilíbrio entre a necessidade de processamento e os custos mais elevados de aquisição, que acabam sendo repassados ao longo da cadeia produtiva.
Perspectivas para o setor e o impacto na cadeia
O futuro das cotações no curto prazo está intrinsecamente ligado ao comportamento do clima. Caso as precipitações continuem a limitar o ritmo de trabalho no campo, a tendência é que os preços permaneçam sustentados em patamares elevados. A dinâmica de mercado dependerá, fundamentalmente, da intensidade das chuvas e da disposição dos produtores em flexibilizar suas vendas.
A mandioca é um pilar essencial para a economia agrícola brasileira, servindo de base para uma vasta gama de produtos, desde a farinha até o amido industrial. A volatilidade nos preços da raiz afeta não apenas o produtor, mas também o consumidor final e a indústria de alimentos. O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos deste mercado. Continue conectado ao nosso portal para receber informações atualizadas, análises aprofundadas e o panorama completo do agronegócio nacional.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br
