O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou nesta sexta-feira (7) o pedido de registro da candidatura do presidente Lula e de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ato, que marca o início formal da corrida eleitoral, veio acompanhado da entrega do programa de governo, um documento de 84 páginas que estabelece as diretrizes para um eventual novo mandato.
Diferente da plataforma apresentada em 2022, que priorizava o combate à fome e a estabilização econômica, o texto atual eleva a soberania nacional ao patamar de eixo central. A estratégia é desenhada para oferecer um contraponto direto à política externa dos Estados Unidos, especialmente diante de possíveis retaliações econômicas associadas a uma eventual gestão de Donald Trump.
A estratégia de soberania como resposta ao cenário externo
O documento, estruturado em 13 eixos temáticos, reflete uma preocupação crescente da cúpula petista com a autonomia do país frente às pressões geopolíticas globais. Ao colocar a soberania como pilar, o partido busca blindar a economia brasileira e reafirmar o protagonismo internacional do Brasil em um momento de incertezas nas relações com Washington.
Enquanto em 2022 o foco era a reconstrução pós-pandemia e o controle da inflação, o programa de 2026 sinaliza uma postura mais assertiva na defesa dos interesses nacionais. A mudança de tom reflete a leitura do PT sobre os riscos de um cenário internacional marcado por protecionismo e tensões comerciais que podem afetar diretamente o mercado interno brasileiro.
Segurança pública e valorização do trabalho
Além da política externa, o plano de governo dedica atenção especial à segurança pública, propondo estratégias mais eficientes e integradas para o enfrentamento da criminalidade. O texto defende a proteção da vida como um direito fundamental, buscando responder a uma das demandas mais sensíveis do eleitorado brasileiro nos últimos anos.
O documento também reforça o compromisso com a valorização do trabalho em suas múltiplas formas. A pauta busca dialogar com o mercado de trabalho contemporâneo, abordando as transformações nas relações laborais e a necessidade de políticas que garantam renda e dignidade para a classe trabalhadora, mantendo a coerência com a base histórica do partido.
Coordenação e elaboração do plano
A formulação das propostas foi conduzida sob a coordenação de Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, contando com uma equipe de peso do núcleo governista. A colaboração incluiu nomes centrais da atual gestão, como a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento).
O esforço de redação também contou com a participação ativa de figuras estratégicas como o presidente do PT, Edinho Silva, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. A composição da equipe técnica demonstra a intenção do governo de apresentar um projeto que une a experiência administrativa atual com as aspirações políticas do partido para os próximos quatro anos.
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Fonte: redir.folha.com.br
