Mobilidade urbana: 40% das mulheres já abandonaram empregos por falta de acesso

Mobilidade urbana: 40% das mulheres já abandonaram empregos por falta de acesso

Direitos humanos

A dificuldade de locomoção nas cidades brasileiras não é apenas um problema de trânsito, mas uma barreira estrutural que impacta diretamente a autonomia feminina. Segundo a pesquisa O Direito de Ir, Vir e Viver, realizada pela consultoria Indique em parceria com a Think Eva e a 99, 40% das mulheres brasileiras já renunciaram a oportunidades de emprego ou vagas profissionais devido a obstáculos no deslocamento diário. O estudo revela que fatores como insegurança, custos elevados e a precariedade do transporte público moldam — e limitam — as trajetórias de vida de milhões de cidadãs.

Barreiras que impedem o desenvolvimento profissional

O impacto da mobilidade precária vai além do mercado de trabalho. A pesquisa aponta que 54% das entrevistadas já deixaram de comparecer a compromissos profissionais ou recusaram convites por medo ou impossibilidade de chegar ao destino. A educação também sofre o reflexo dessa exclusão: 21% das mulheres desistiram de iniciar ou continuar cursos de capacitação e faculdades. Em um dos relatos colhidos, uma estudante aprovada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) precisou abandonar o curso por não conseguir chegar ao campus a tempo, após ter sido vítima de assaltos recorrentes em ônibus.

Insegurança e assédio como vetores de exclusão

A violência é o principal entrave para a mobilidade feminina, citado por 32% das participantes. A sensação de perigo força as mulheres a adotarem estratégias de autoproteção constantes: 87% evitam circular por determinadas regiões, 73% planejam rigorosamente seus horários e 60% alteram rotas habituais para tentar reduzir riscos. O assédio sexual é uma realidade alarmante, com 89% das mulheres relatando terem sido vítimas em algum meio de transporte, sendo o ônibus o local mais frequente de ocorrência, seguido por deslocamentos a pé e pelo sistema de metrô ou trem.

O peso da dupla jornada e a desigualdade de renda

A estrutura das cidades brasileiras ignora, muitas vezes, a rotina de quem acumula funções de cuidado. O estudo destaca que 54% das entrevistadas exercem tarefas de cuidado sozinhas, o que torna os trajetos mais complexos, envolvendo paradas para levar filhos à escola ou buscar idosos em consultas médicas. A renda, por sua vez, dita a escolha do modal: enquanto 80,3% das mulheres de baixa renda dependem exclusivamente do transporte público, as de alta renda possuem maior acesso ao carro próprio, evidenciando como a desigualdade socioeconômica se traduz em disparidades no direito à cidade.

Para aprofundar o debate sobre o tema, a Agência Brasil detalha que a coleta de dados, realizada entre 8 de junho e 9 de julho de 2026, ouviu 564 mulheres em capitais e diversas cidades do país. O levantamento reforça que a mobilidade não é um tema isolado, mas um pilar fundamental para a equidade de gênero. O ConexRS segue acompanhando as discussões sobre planejamento urbano e políticas públicas, trazendo sempre uma análise crítica sobre os desafios que impactam a sociedade brasileira. Continue conosco para mais informações sobre direitos humanos e desenvolvimento social.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br