A Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde, emitiu um alerta à população após a confirmação de 11 casos de raiva em morcegos na capital gaúcha durante o ano de 2025. O dado, obtido a partir de 347 coletas realizadas pelo Núcleo de Antropozoonoses, indica uma presença constante do vírus em diferentes regiões da cidade, exigindo atenção redobrada dos moradores quanto ao manejo desses animais.
O cenário atual apresenta uma leve variação em relação ao ano anterior. Em 2024, o monitoramento identificou dez animais positivos em 283 amostras analisadas. Embora o número de casos positivos tenha crescido apenas uma unidade, a ampliação das ações de vigilância reflete a preocupação das autoridades com a circulação do patógeno em áreas urbanas, abrangendo bairros como Rubem Berta, Belém Novo, Tristeza, Restinga, Santana, Higienópolis, São João, Menino Deus, Vila Nova, Azenha e Cidade Baixa.
Ações de vigilância e monitoramento de morcegos
A presença de morcegos em centros urbanos é um fenômeno natural, mas o comportamento dos animais é o principal indicador de risco. A Vigilância em Saúde esclarece que o morcego sadio possui hábitos noturnos e busca refúgio em locais altos, evitando o contato direto com humanos ou animais domésticos. O perigo reside nos exemplares encontrados caídos no chão, desorientados ou que invadem residências durante o dia, sinais que podem indicar infecção pelo vírus da raiva.
Para o controle da situação, o Núcleo de Antropozoonoses mantém uma rotina de recolhimento de espécimes que apresentam comportamento anormal. O serviço opera de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, mediante solicitação prévia. A população pode acionar as equipes pelo telefone (51) 3289-2450 ou via WhatsApp. Fora deste horário, o atendimento é centralizado pelo serviço 156, que orienta sobre os procedimentos emergenciais.
Protocolos de segurança e prevenção
A orientação oficial é clara: em hipótese alguma o cidadão deve tocar em um morcego. Caso o animal esteja dentro de um imóvel e apresente comportamento ativo, a recomendação é abrir janelas e apagar as luzes, permitindo que ele retorne ao ambiente externo por conta própria. Se o animal estiver imóvel ou em local de fácil acesso, deve-se isolar o ambiente e solicitar o recolhimento especializado.
Em situações de contato direto, como mordeduras, arranhaduras ou lambeduras em feridas abertas, a higienização imediata com água e sabão é o primeiro passo essencial. Após a limpeza, a pessoa deve buscar atendimento em uma unidade de saúde de referência para avaliação médica, onde será definido o protocolo de profilaxia, que pode incluir vacinação ou administração de soro antirrábico.
Proteção animal e equilíbrio ambiental
É importante ressaltar que os morcegos desempenham um papel ecológico fundamental. Eles são responsáveis pelo controle populacional de insetos, incluindo o Aedes aegypti, vetor da dengue, além de atuarem na polinização da flora nativa. Por serem protegidos pela legislação ambiental, o desalojamento de colônias deve ser realizado exclusivamente por empresas especializadas, garantindo que o manejo respeite as normas de proteção à fauna.
Para quem possui animais de estimação, a cautela deve ser redobrada. Caso cães ou gatos tenham qualquer contato com morcegos, a recomendação veterinária é a revacinação imediata, independentemente do histórico vacinal do pet. A raiva é uma zoonose grave, e a prevenção continua sendo a ferramenta mais eficaz para evitar a transmissão entre espécies.
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Fonte: agorars.com
