Shopee e marketplaces entram no mercado de medicamentos após decisão da Anvisa

Shopee e marketplaces entram no mercado de medicamentos após decisão da Anvisa

Economia

A partir desta segunda-feira (10), o cenário do comércio eletrônico brasileiro passou por uma mudança significativa. Uma decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a Shopee a comercializar medicamentos em sua plataforma, encerrando uma proibição que vigorava desde março de 2022. A medida, contudo, não é exclusiva para a gigante asiática; ela estabelece um novo marco regulatório que abre caminho para que outros marketplaces, como iFood, Rappi e Mercado Livre, também atuem como intermediários na venda de remédios.

Essa abertura foi viabilizada pela Lei nº 15.357, sancionada em março de 2026. A legislação permite que farmácias e drogarias devidamente licenciadas utilizem plataformas digitais para a logística e entrega de seus produtos, desde que respeitem rigorosamente as normas sanitárias vigentes. É importante ressaltar que as plataformas não estão autorizadas a comprar ou estocar medicamentos; elas funcionam exclusivamente como vitrines e facilitadoras logísticas, operando no modelo 3P (third-party).

A vantagem competitiva do iFood na corrida farmacêutica

Embora a autorização alcance diversos players, o mercado financeiro aponta o iFood como o competidor com maior potencial de impacto imediato. A análise do BTG Pactual destaca que a empresa possui uma infraestrutura de entregas rápidas já consolidada e uma base de usuários habituada à conveniência da última milha. Atualmente, o aplicativo já integra centenas de milhares de entregadores e oferece ferramentas de marketing e fidelidade para farmácias parceiras.

O modelo de comissionamento do iFood varia entre 6% e 12%, dependendo de quem realiza a entrega. Para os especialistas, a força da plataforma reside na capacidade de oferecer uma vitrine de farmácia para consumidores que já utilizam o app para outras necessidades diárias. Contudo, essa vantagem é vista como mais eficaz para produtos de higiene, cuidados pessoais e medicamentos isentos de prescrição (OTC), em vez de uma substituição completa das compras em grandes redes.

Desafios logísticos e a resistência das redes tradicionais

Apesar da entrada de gigantes digitais, as grandes redes de drogarias, como a Raia Drogasil (RADL3), mantêm vantagens estruturais que dificilmente serão replicadas apenas por plataformas de intermediação. O sucesso no setor farmacêutico depende de fatores complexos, como a profundidade do sortimento, a precisão na gestão de estoques e a capacidade de oferecer suporte técnico especializado ao consumidor.

Enquanto o iFood e a Shopee dependem da qualidade do estoque de terceiros, as grandes redes operam como ecossistemas omnichannel. Elas utilizam suas lojas físicas não apenas como pontos de venda, mas como centros de distribuição descentralizados. Isso permite uma gestão mais eficiente de itens específicos, garantindo que o consumidor encontre exatamente a molécula ou dosagem necessária, algo fundamental na jornada de compra de saúde.

O BTG Pactual avalia que o mercado não deve ser visto como uma disputa excludente entre o digital e o físico. A tendência aponta para uma batalha entre diferentes ecossistemas que buscam integrar o melhor da conveniência tecnológica com a capilaridade e a confiança das redes estabelecidas. Para conferir mais análises sobre o impacto das novas tecnologias no varejo e no mercado financeiro, continue acompanhando o Conexrs, seu portal de informação relevante e atualizada.

Fonte: seudinheiro.com