As ações da construtora Tenda (TEND3) encerraram o pregão desta quarta-feira (30) em queda de 1,17%, cotadas a R$ 27,01, descolando-se do movimento positivo do Ibovespa, que registrou alta de cerca de 2% no mesmo período. O desempenho negativo reflete a cautela dos investidores diante de gargalos operacionais que impactam o setor imobiliário, especialmente no segmento voltado ao programa Minha Casa, Minha Vida.
O cenário atual é marcado por um aperto na concessão de crédito pela Caixa Econômica Federal e pelos reflexos da recente greve dos bancários, que foi encerrada na terça-feira (29). Esses fatores, segundo analistas, criam um ambiente de maior incerteza para as incorporadoras, elevando a expectativa de cancelamentos de vendas no curto prazo e pressionando as margens de lucro das companhias do setor.
Impactos operacionais e a rigidez no crédito
A análise do Itaú BBA aponta que a dificuldade de acesso ao financiamento imobiliário tornou-se o principal entrave para a Tenda. Embora a paralisação dos bancários tenha chegado ao fim, a companhia reportou que a transferência de recebíveis para a Caixa ainda apresenta lentidão. Contudo, a construtora mantém a perspectiva de que o fluxo de caixa livre não sofrerá impactos relevantes, visto que os recebimentos iniciais são processados via cartório.
O ponto de maior atenção, segundo o banco, é o endurecimento dos critérios de análise de crédito pela Caixa, uma medida que ainda não apresenta sinais de reversão. Esse movimento afetou diretamente o perfil da clientela da Tenda: trabalhadores informais, que representavam entre 20% e 30% da base de compradores, agora correspondem a apenas 10%. Essa mudança estrutural força a empresa a reavaliar suas projeções para o terceiro trimestre de 2026.
Adaptação e rentabilidade em um cenário restrito
Para navegar pelas novas exigências bancárias, a Tenda precisou ajustar sua estratégia comercial. A Caixa reduziu o pro-soluto — parcela paga diretamente à construtora — após a entrega das chaves. Como resposta, a empresa cortou essa fatia de 10% para 5% no Rio de Janeiro e para 7% nas demais regiões onde atua.
Apesar da pressão sobre as margens, a companhia busca alternativas para manter a rentabilidade, como o foco em famílias da Faixa 3 do Minha Casa, Minha Vida, que possuem renda mais elevada. Além disso, a construtora tem realizado a recompra de unidades retomadas, uma estratégia desenhada para mitigar os impactos da inadimplência junto à instituição financeira estatal.
Perspectivas do Itaú BBA para o papel
Mesmo com os desafios operacionais, o Itaú BBA mantém uma postura otimista em relação aos papéis da Tenda. O banco reiterou a recomendação outperform, equivalente à compra, com um preço-alvo de R$ 58. Esse valor sugere um potencial de valorização expressivo, próximo a 115% em relação ao fechamento recente.
A tese de investimento do banco baseia-se na atratividade dos múltiplos da companhia. Após a desvalorização recente, a ação passou a ser negociada entre 3,5 e 4 vezes o lucro ajustado projetado para 2027. Para o BBA, esse nível de preço oferece uma margem de segurança interessante, desde que a empresa consiga superar os obstáculos operacionais e entregar os resultados esperados para os próximos anos. Acompanhe as atualizações sobre o setor financeiro e o mercado de capitais no ConexRS, onde trazemos análises aprofundadas sobre as movimentações que impactam o seu patrimônio e a economia nacional.
Fonte: seudinheiro.com
