Açúcar atinge maior patamar em 19 meses com colheita prejudicada no Brasil

Açúcar atinge maior patamar em 19 meses com colheita prejudicada no Brasil

Agro

O mercado global de açúcar vive um momento de forte valorização, atingindo em outubro de 2026 o maior nível de preços dos últimos 19 meses na Bolsa de Nova York. O movimento, que reflete uma preocupação generalizada com a oferta, é impulsionado diretamente pelas condições climáticas adversas no Brasil, o maior produtor e exportador mundial da commodity. As chuvas persistentes no Centro-Sul têm dificultado o avanço da colheita, gerando um efeito cascata que impacta desde o mercado interno até as cotações internacionais.

Na sessão da última segunda-feira (5), os contratos futuros de açúcar bruto na ICE Futures US registraram uma alta expressiva. O vencimento para março de 2027 alcançou 20,79 centavos de dólar por libra-peso, uma valorização de 4,4% em relação ao fechamento anterior. O contrato para maio de 2027 acompanhou a tendência, subindo 3,9% e atingindo 19,92 centavos. Esse cenário de escassez percebida é corroborado por dados globais, como o indicador da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que apontou alta de 6,1% nos preços do açúcar em setembro, marcando o terceiro mês consecutivo de elevação.

Impactos da chuva na produção do Centro-Sul

No Brasil, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que o atraso na colheita da cana-de-açúcar é o principal fator de sustentação dos preços no mercado spot paulista. A umidade excessiva não apenas impede o tráfego de máquinas pesadas nos canaviais, mas também altera a qualidade da matéria-prima. Quando a cana é colhida sob condições de alta umidade, o rendimento industrial cai, o que tem levado as usinas a priorizarem a produção de etanol em detrimento do açúcar, reduzindo ainda mais a oferta do adoçante no mercado interno.

A situação é crítica a ponto de consultorias especializadas, citadas pelo Cepea, projetarem que uma parcela significativa da safra pode ser postergada para o próximo ciclo. Há, inclusive, expectativas de que o período de moagem se estenda até o fim de fevereiro ou início de março de 2027, uma tentativa de mitigar as perdas causadas pelo clima. Esse cenário de incerteza operacional mantém a pressão sobre os preços, uma vez que a disponibilidade do produto permanece restrita.

Cenário de incerteza no mercado global

A valorização do açúcar não é um fenômeno isolado ao Brasil. A FAO aponta que a oferta mundial enfrenta riscos em diversas frentes. Na União Europeia, a redução da área plantada e problemas climáticos afetam a produção de beterraba açucareira. Na Tailândia, as projeções também indicam uma safra menor, enquanto na Índia, a combinação de chuvas abaixo da média e os efeitos do fenômeno El Niño trazem incertezas sobre o desempenho da produção local.

Esses fatores, somados à queda de 41,6% na produção brasileira de açúcar registrada na primeira quinzena de setembro, consolidam a percepção de um mercado global com estoques apertados. A FAO reforça que a safra 2026/27, que compreende o período de outubro a setembro, deve ser marcada por uma oferta mais limitada, o que explica a reação imediata dos investidores nas bolsas de valores.

Para o setor sucroalcooleiro brasileiro, as próximas semanas serão decisivas. A capacidade das usinas de retomar o ritmo de colheita e moagem determinará se a pressão sobre os preços continuará ou se haverá uma estabilização. O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos do mercado agropecuário e os impactos do clima na economia, trazendo sempre análises fundamentadas para manter você bem informado sobre os temas que movimentam o Brasil e o mundo.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br