Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, deixa legado no jornalismo esportivo

Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, deixa legado no jornalismo esportivo

Rio Grande do Sul

O jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul perdeu uma de suas vozes mais marcantes. Adroaldo Guerra Filho, conhecido popularmente como Guerrinha, morreu nesta quarta-feira (28), aos 70 anos, em Porto Alegre. Ele estava internado no Instituto de Cardiologia devido a uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado.

Comentarista da Rádio Gaúcha e figura central na cobertura esportiva do estado, Guerrinha construiu uma trajetória marcada pelo carisma, versatilidade e, sobretudo, por tiradas bem-humoradas e frases de efeito que rapidamente caíram no gosto popular. Sua capacidade de traduzir o cotidiano do futebol com sarcasmo e leveza transformou suas opiniões em marcas registradas do rádio, da televisão e da imprensa escrita.

A chegada ao rádio e a consagração nos microfones

A transição definitiva para o universo radiofônico ocorreu em 1999, quando a Rádio Gaúcha lançou o programa de entrevistas Falcão na Gaúcha, sob a grife de Paulo Roberto Falcão. Guerrinha atuou como coapresentador da atração, inaugurando uma fase de forte conexão com os ouvintes.

Anos mais tarde, em 2014, assumiu a condução do Paredão do Guerrinha, programa que manteve a essência de entrevistas diretas e descontraídas. Paralelamente, no meio impresso, estreou em 17 de abril de 2000 a coluna Guerra Total no Diário Gaúcho, onde se destacava pela famosa perguntinha, um questionamento instigante sobre os principais fatos do momento.

A estreia na televisão e o desafio do Sala de Redação

A entrada na telinha aconteceu no início dos anos 2000, quando a RBS TV transmitia o programa Lance Final nas noites de domingo. Convocado para substituir Ibsen Pinheiro na bancada, Guerrinha relutava inicialmente por não se ver com perfil televisivo, brincando que, se beleza fosse crime, ele seria inocente.

Após realizar testes e conversar com Nelson Sirotsky, então presidente da Grupo RBS, aceitou o desafio de se identificar publicamente com a torcida colorada. Em 2004, deu mais um passo importante ao integrar a bancada do Sala de Redação, o mais tradicional programa de debates esportivos do estado, cobrindo as férias de Kenny Braga e garantindo espaço definitivo no programa.

O humor ácido e as expressões eternizadas

O estilo irreverente de Guerrinha rendeu bordões inesquecíveis que atravessaram gerações de torcedores, independentemente de rivalidades. Frases como ‘Não dá pra servir farofa em restaurante com ventilador de teto’ ou a célebre Lei Guerrinha — que sintetizava mudanças inexplicáveis de treinadores com o princípio de que, se algo deu certo, tem que mudar — viraram patrimônio cultural do futebol gaúcho.

Mesmo com a forte identificação colorada, a franqueza e a acidez de seus comentários conquistaram o respeito de torcedores de diferentes clubes. Sua trajetória na Grupo RBS havia começado muito antes, em 1983, escrevendo sobre turfe a convite de Emmanuel Mattos, antes de migrar definitivamente para a cobertura do futebol e se consolidar como um dos grandes nomes da comunicação do Rio Grande do Sul.

Adroaldo Guerra Filho deixa a esposa, Kátia, as filhas Michelle e Karine e três netos.