Arroba do boi gordo pode disparar se Brasil não frear exportações para a China

Arroba do boi gordo pode disparar se Brasil não frear exportações para a China

Geral

O mercado pecuário brasileiro vive dias de forte expectativa com o comportamento dos preços do boi gordo. A oferta restrita de animais prontos para o abate e a pressão exercida pela demanda internacional colocam as cotações em rota de valorização, com analistas alertando para o risco de uma disparada vertiginosa nas cotações caso o governo não adote medidas para regular o fluxo de exportações voltadas ao mercado chinês.

As escalas de abate nos frigoríficos nacionais seguem apertadas, concentradas entre cinco e seis dias úteis na maioria dos polos de produção. Esse posicionamento reduzido das indústrias, somado ao aquecimento sazonal das vendas internas no último trimestre do ano, cria um ambiente favorável a aumentos sucessivos nas praças pecuárias.

Pressão externa e o impacto da cota de compras da China

O analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias pontua que a dinâmica de vendas externas para a China pode atuar como um catalisador de preços sem precedentes nos últimos meses. A estratégia corrente dos exportadores consiste em abater em outubro e realizar embarques ao longo de novembro e dezembro, com o objetivo de desembarcar as cargas em território asiático a partir de janeiro, aproveitando a cota comercial fixada para 2027.

A cota de exportação de carne bovina para o parceiro asiático em 2027 está projetada em 1,128 milhão de toneladas, número que representa um avanço de 2% frente ao limite estabelecido para 2026, de 1,106 milhão de toneladas. Diante desse volume, o setor produtivo debate formas de conter um descompasso.

De acordo com Iglesias, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) solicitou ao governo federal a implantação de um sistema interno de gestão de cotas. Caso esse controle seja adotado, o ritmo de envios será dosado, mantendo a arroba em patamares estáveis com reajustes pontuais. Sem essa trava, no entanto, as vendas aos chineses podem alcançar 400 mil toneladas apenas no bimestre final do ano, provocando uma explosão nos preços da arroba no mercado físico.

Comportamento da arroba nas principais regiões produtoras

Na apuração do dia 15 de outubro, as negociações a prazo apontaram avanços consistentes nas principais praças do país:

  • São Paulo: R$ 385 por arroba, alta de 1,32% em relação aos R$ 380 da semana anterior
  • Goiás: R$ 365 na capital, avanço de 1,39% sobre os R$ 360 anteriores
  • Minas Gerais: R$ 370 em Uberaba, valorização de 1,37% frente a R$ 365
  • Mato Grosso do Sul: R$ 370 em Dourados, estável em relação ao fechamento anterior
  • Mato Grosso: R$ 350 em Cuiabá, avanço de 1,45% perante os R$ 345 registrados
  • Rondônia: R$ 365 em Vilhena, subida de 1,96% perante a marca de R$ 358

O atacado de carne bovina também acompanha esse movimento de firmeza nas cotações. O quarto traseiro subiu para R$ 29,50 por quilo, acréscimo semanal de 3,51%, enquanto o dianteiro avançou 2,33%, negociado a R$ 22,00 por quilo. Ganhos adicionais no varejo, contudo, encontram resistência no poder de compra do consumidor, que tem recorrido com frequência à carne de frango e aos cortes suínos como alternativa econômica.

Balanço das exportações e movimentação comercial

Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as vendas externas de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram US$ 377,937 milhões nos primeiros sete dias úteis de outubro, com média diária de US$ 53,991 milhões. O volume exportado atingiu 61,321 mil toneladas, representando média diária de 8,760 mil toneladas a um preço médio de US$ 6.163,30 por tonelada.

Quando comparados com o mesmo mês do ano anterior, os números apontam retração de 33,1% no faturamento médio diário e queda de 39,9% no volume diário embarcado. Em contrapartida, o valor médio pago pela tonelada registrou expansão de 11,3%, confirmando a valorização internacional da proteína.

O acompanhamento dessas movimentações econômicas é fundamental para entender os impactos diretos nos custos de produção e no orçamento das famílias. Continue conectado ao ConexRS para conferir análises completas, atualizações de mercado e coberturas especiais sobre a economia e o agronegócio com o rigor informativo de nossa equipe.

Fonte: canalrural.com.br