Doações de auditores fiscais a deputados mineiros levantam debate sobre influência política

Doações de auditores fiscais a deputados mineiros levantam debate sobre influência política

Política

Um levantamento detalhado baseado nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou uma movimentação política expressiva entre o funcionalismo público de Minas Gerais. Mais de 800 auditores fiscais, entre servidores da ativa e aposentados, realizaram doações de campanha para 16 candidatos a deputado estadual. O movimento, que chamou a atenção pela concentração de valores, culminou na eleição de 11 dos beneficiados pelo apoio financeiro da categoria.

Perfil das contribuições e beneficiários

Os dados indicam uma estratégia de doações pulverizadas, com a maioria das contribuições individuais fixada em R$ 1.000. O teto identificado nas transações foi de R$ 3.000. Entre os nomes que mais atraíram o aporte financeiro dos auditores está Eduardo Azevedo (PL), irmão do governador eleito Cleitinho (Republicanos), que angariou R$ 89,5 mil. Logo atrás, Adalclever Lopes (PV), que buscava a reeleição com um histórico de defesa das pautas da categoria no Legislativo, recebeu R$ 82 mil, embora não tenha conquistado uma cadeira na Assembleia.

A lista de vitoriosos que contaram com o apoio financeiro dos auditores inclui figuras de diferentes espectros políticos, como Leninha, presidente do PT em Minas, que recebeu R$ 68 mil, e Lud Falcão (Republicanos), esposa do vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão, com R$ 14 mil em doações.

Posicionamento do Sindifisco-MG

Questionado sobre a mobilização, o Sindifisco-MG, sindicato que representa a categoria, negou qualquer envolvimento institucional nas doações. Em nota, a entidade reforçou que não realiza repasses a campanhas e que as contribuições refletem o exercício da liberdade de escolha e manifestação política individual de cada servidor, ressaltando que não cabe ao sindicato constranger ou impedir tais atos, desde que respeitada a legislação eleitoral vigente.

Contexto da gratificação e tramitação legislativa

A ofensiva financeira dos auditores ocorreu em um momento de intensa articulação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). No primeiro semestre, a categoria buscou apoio para a aprovação de um projeto enviado pelo governador Romeu Zema (Novo), que visa regularizar uma gratificação por produtividade. O benefício, que compõe parte relevante da remuneração dos servidores, teve seu formato questionado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 2025, a corte determinou que reajustes dessa natureza devem ser fixados por lei específica, invalidando atos administrativos anteriores. O projeto que tenta sanar essa pendência jurídica, contudo, enfrenta entraves na Assembleia. A oposição tem condicionado o avanço da matéria à inclusão de outras categorias no benefício, mantendo o texto em compasso de espera na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária.

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Fonte: redir.folha.com.br