Fazenda em Minas Gerais alcança marca de 80 mil ovos diários com sistema livre de gaiolas

Fazenda em Minas Gerais alcança marca de 80 mil ovos diários com sistema livre de gaiolas

Agro

A avicultura brasileira vive um momento de transformação, impulsionada por novos modelos de produção que priorizam o bem-estar animal e a eficiência operacional. Um exemplo emblemático dessa mudança ocorre em São Sebastião do Oeste, Minas Gerais, onde a Fazenda Speranza consolidou um modelo de criação cage-free (livre de gaiolas) que já alcança a marca de 80 mil ovos produzidos diariamente. O desempenho, que combina tecnologia e manejo humanizado, coloca a propriedade como uma referência no setor.

Crescimento acelerado e foco em bem-estar animal

Desde que iniciou suas atividades em 2021, a granja mineira apresentou um salto produtivo expressivo. O plantel, que começou com apenas 3,5 mil aves, saltou para cerca de 120 mil animais em cinco anos, um crescimento superior a 3.300%. Esse avanço não foi apenas quantitativo, mas também qualitativo, com a adoção de práticas que permitem às galinhas expressarem comportamentos naturais, como o uso de poleiros e enriquecimento ambiental.

A densidade nos aviários é mantida em até oito aves por metro quadrado, uma estratégia que, segundo o proprietário Guilherme Baruffi, reduz a competição e o estresse entre os animais. Para garantir o conforto térmico, a fazenda utiliza sistemas de climatização com pressão negativa, assegurando que o ambiente permaneça estável mesmo sob as altas temperaturas características da região.

Biosseguridade como pilar da produtividade

Um dos diferenciais da Fazenda Speranza é a ausência de antibióticos durante a fase produtiva. Para viabilizar esse modelo, a empresa aposta em um rigoroso protocolo de biosseguridade. Veículos que acessam a propriedade passam por desinfecção, e os colaboradores seguem normas estritas de higiene, incluindo a troca de roupas e calçados específicos para cada área de manejo. A estrutura conta ainda com laboratório próprio para monitoramento constante da saúde do plantel e da qualidade da cama dos aviários.

A gestão da sanidade é complementada pela fabricação da própria ração, o que garante maior controle sobre a nutrição das aves. Além disso, a fazenda optou por não realizar a debicagem mecânica, escolhendo linhagens de perfil comportamental mais calmo, o que minimiza conflitos e elimina a necessidade de intervenções invasivas.

Resultados acima das referências genéticas

A eficiência do manejo tem se traduzido em números que superam as expectativas dos manuais genéticos. Em alguns lotes, a produtividade ultrapassou os 90% mesmo em idades avançadas, mantendo o desempenho acima dos níveis de mercado após 100 semanas de vida. De acordo com Baruffi, a persistência na produção é um dos indicadores mais claros de que o bem-estar animal está sendo respeitado.

A valorização da equipe, composta por cerca de 25 colaboradores, é apontada como outro fator determinante. Com baixa rotatividade, a fazenda mantém profissionais que acompanham o projeto desde o início, o que, segundo a gestão, reflete diretamente na qualidade do cuidado diário com as aves. A empresa, que integra a Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA), busca agora expandir o debate sobre a viabilidade econômica de práticas sustentáveis na produção de alimentos.

O ConexRS segue acompanhando as inovações e os movimentos do agronegócio brasileiro, trazendo análises sobre como a tecnologia e a sustentabilidade moldam o futuro do setor. Continue conosco para se manter informado sobre as principais tendências e resultados que impactam a economia e a mesa dos brasileiros.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br