O Brasil consolidou sua posição como protagonista na agenda global de sustentabilidade ao registrar R$ 289 bilhões em investimentos destinados a projetos de biocombustíveis e transição energética. O montante, revelado durante o GAFFFF 2026, realizado em São Paulo, reflete a crescente confiança do mercado na capacidade do país de conciliar sua vocação histórica como potência agrícola com a demanda mundial por fontes de energia de baixo carbono.
A convergência entre produção de alimentos e energia
O cenário atual aponta para uma transformação estrutural. Segundo o deputado federal Arnaldo Jardim, presidente da Comissão de Transição Energética e Hidrogênio Verde, os biocombustíveis deixaram de ser apenas uma alternativa aos combustíveis fósseis para se tornarem um eixo central da reindustrialização brasileira. A estratégia é integrar cadeias produtivas, aproveitando o potencial do etanol de milho e o uso de seus coprodutos na pecuária.
Atualmente, cerca de 23% do milho produzido no país já é direcionado à fabricação de biocombustível. Esse aproveitamento eficiente reforça a tese de que o setor é um pilar decisivo para a economia nacional, transformando insumos agrícolas em valor agregado para o mercado interno e externo.
Expansão para novos mercados e tecnologias
A atuação do setor sucroenergético tem superado as fronteiras dos veículos leves. Mário Campos, presidente executivo da SIAMIG/Bioenergia Brasil, destaca que o horizonte de expansão inclui o combustível sustentável de aviação (SAF), o transporte marítimo e o uso crescente de biometano. O biometano, inclusive, já é utilizado por empresas do setor no transporte de açúcar e na logística de campo, fechando um ciclo de sustentabilidade dentro da própria operação industrial.
A diversificação geográfica também é um marco. Há uma década, a produção de etanol de milho era praticamente inexistente no Brasil. Hoje, essa modalidade já responde por 30% do etanol nacional, com aportes financeiros significativos concentrados nas regiões Centro-Oeste e Sul, descentralizando o desenvolvimento econômico e criando novos polos de tecnologia.
O papel do Brasil na matriz energética global
Para especialistas como Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), a transição energética global deve ser compreendida como uma evolução, onde diversas fontes coexistem para atender à demanda crescente por energia. O Brasil, ao combinar tecnologias e fontes, posiciona-se como um fornecedor estratégico capaz de suprir o aumento do consumo mundial enquanto reduz a intensidade de carbono.
O sucesso dessa estratégia passa por mecanismos consolidados, como o RenovaBio, que permitiu ao país medir e valorizar a descarbonização. O desafio agora, segundo Plínio Nastari, presidente da Datagro, é equilibrar o crescimento da oferta com a abertura de novos mercados internacionais, garantindo que o Brasil continue sendo referência na exportação de soluções sustentáveis.
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Fonte: canalrural.com.br

