Bofa revisa projeções para bancos e sinaliza cautela com crédito no Brasil

Bofa revisa projeções para bancos e sinaliza cautela com crédito no Brasil

Economia

O setor financeiro brasileiro atravessa um momento de reavaliação estratégica diante de novas perspectivas macroeconômicas. O Bank of America (BofA), em relatório recente, ajustou suas projeções para o segmento, apontando um cenário de maior cautela com a oferta de crédito e a necessidade de reforço nas provisões, ao mesmo tempo em que vislumbra oportunidades em empresas ligadas aos mercados de capitais.

A mudança de rota dos analistas baseia-se em uma leitura mais conservadora para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos. O banco projeta agora uma expansão de 1,8% para 2026 e 0,9% para 2027. Em contrapartida, a expectativa é de uma trajetória de queda mais acentuada para a taxa Selic, que deve encerrar 2026 em 13,25% e 2027 em 11,25%.

Impactos no crédito e o cenário para os grandes bancos

Para as instituições financeiras tradicionais, a combinação de um crescimento econômico mais lento com a persistência de riscos elevados pressiona as margens. O BofA reduziu suas estimativas de lucro para a maioria dos bancos, refletindo a cautela com a inadimplência e a necessidade de manter colchões de liquidez mais robustos. O setor, contudo, ainda projeta um crescimento de lucros de 14% para este ano.

O Banco do Brasil (BBAS3) e o Bradesco (BBDC4) foram os nomes que sofreram os ajustes mais significativos nas estimativas do BofA. No caso do Banco do Brasil, a preocupação central reside na deterioração da qualidade dos ativos, que ultrapassou o setor rural, pressionando as provisões. A instituição mantém recomendação underperform, com preço-alvo ajustado para R$ 20, considerando o horizonte de 2027.

Já o Bradesco, apesar de ter tido suas estimativas para 2027 reduzidas em 8%, segue com recomendação de compra. Os analistas avaliam que o banco atravessa um ciclo de recuperação gradual e que a atual cotação das ações oferece uma relação de risco e retorno favorável, com potencial de valorização de 30% frente ao preço-alvo de R$ 23.

Resiliência no Itaú e BTG Pactual

Enquanto parte do setor enfrenta ventos contrários, o Itaú Unibanco (ITUB4) e o BTG Pactual (BPAC11) conseguiram manter uma trajetória mais sólida nas avaliações do BofA. A postura conservadora do Itaú na concessão de crédito tem sido um diferencial, permitindo que o banco evite surpresas negativas e mantenha uma distribuição de capital consistente aos acionistas.

Para o BTG Pactual, o modelo de negócios diversificado é visto como o principal pilar de sustentação. Mesmo diante de um ambiente desafiador para áreas como Investment Banking, a capacidade de gerar sinergias e a rentabilidade esperada de 25% para 2027 garantem a recomendação de compra, com preço-alvo elevado para R$ 70.

Mercado de capitais e o futuro das fintechs

O BofA destaca que a queda dos juros pode atuar como um catalisador para a retomada das negociações de ativos, beneficiando empresas como a B3 (B3SA3) e a XP (XPBR31). Esse movimento sugere que, embora o crédito bancário tradicional enfrente restrições, o mercado de capitais pode ganhar tração à medida que o cenário monetário se torna mais favorável.

No segmento das fintechs, a visão permanece seletiva. O Nubank (ROXO34), embora tenha apresentado resultados acima das expectativas no segundo trimestre, ainda desperta cautela devido à sua exposição ao crédito sem garantia para consumidores de baixa renda. O banco monitora de perto como essas empresas equilibrarão o crescimento acelerado com o controle do custo de risco.

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Fonte: seudinheiro.com