O mercado brasileiro de pecuária de corte encerrou o mês de julho com um cenário de valorização para o boi gordo. A dificuldade da indústria frigorífica em compor escalas de abate, causada por uma oferta mais restrita de animais prontos para o mercado, foi o principal motor para a sustentação dos preços nas praças pecuárias ao longo das últimas semanas.
Segundo o analista Fernando Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, a dinâmica de preços foi diretamente influenciada pela escassez de oferta, que limitou o poder de negociação dos frigoríficos. Esse desequilíbrio entre a demanda industrial e a disponibilidade de gado nas fazendas resultou em altas nominais em diversas regiões produtoras do país.
Dinâmica do mercado físico e expectativas para agosto
O comportamento dos preços durante julho revelou uma tendência de alta na maioria dos estados. Em São Paulo, referência nacional, a arroba atingiu R$ 350, um avanço de 4,48% em comparação aos R$ 335 registrados no final de junho. Movimento semelhante foi observado em Mato Grosso do Sul, onde a cotação subiu 4,69%, chegando a R$ 335, e em Minas Gerais, com alta de 3,17%, fixando-se em R$ 325.
Para o mês de agosto, a expectativa dos especialistas é de uma estabilização nas cotações. A projeção é sustentada pela entrada gradual de animais provenientes dos sistemas de confinamento, que devem aumentar o volume de oferta disponível e aliviar a pressão sobre as escalas de abate. Esse movimento tende a equilibrar a relação entre oferta e demanda, evitando novas disparadas nos preços pagos ao produtor.
Comportamento dos preços no atacado
Enquanto o mercado do boi gordo mostrava força, o setor atacadista apresentou resultados mistos, refletindo ajustes pontuais na demanda por diferentes cortes. O quarto traseiro bovino, item de maior valor agregado, registrou alta de 3,92%, atingindo R$ 26,50 por quilo. Em contrapartida, o dianteiro sofreu uma correção negativa de 4,76%, sendo cotado a R$ 20 por quilo.
Cenário das exportações brasileiras
No comércio exterior, o ritmo das exportações de carne bovina apresentou uma desaceleração, um fenômeno já esperado pelo setor. A queda no volume diário de embarques está ligada ao esgotamento precoce da cota chinesa, principal destino da proteína brasileira. Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que, até o 18º dia útil de julho, o país exportou 195,214 mil toneladas, com um preço médio de US$ 6.368,90 por tonelada.
Apesar da redução no volume, o preço médio por tonelada apresentou um avanço expressivo de 14,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse dado reforça a resiliência do produto brasileiro no mercado internacional, que, mesmo com fluxos menores, mantém uma valorização importante na receita cambial. O setor segue monitorando os próximos passos da demanda global para ajustar o planejamento estratégico do segundo semestre.
O Conexrs acompanha diariamente as movimentações do agronegócio e os impactos econômicos que moldam o setor produtivo brasileiro. Continue acompanhando nossas reportagens para se manter informado sobre as tendências de mercado, análises técnicas e o panorama completo da economia rural.
Fonte: canalrural.com.br
