Estratégia eleitoral no reduto petista
Em um movimento estratégico para ampliar sua base eleitoral, o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) desembarcou em João Pessoa, na Paraíba, neste domingo (2), para participar da convenção do Partido Liberal. Durante o evento, o senador buscou estabelecer um diálogo direto com o eleitorado nordestino, declarando que a região é a “solução do Brasil”. A fala, proferida em um território historicamente alinhado ao PT, marca uma tentativa de reverter o cenário de polarização que define as Eleições 2026.
O discurso de Flávio ocorreu no mesmo dia em que o presidente Lula (PT) oficializou sua candidatura à reeleição em São Paulo. Ao mencionar a importância do Nordeste, o candidato do PL buscou resgatar o apoio que, segundo ele, foi fundamental para a ascensão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2018. A aposta é que a região possa novamente ser o fiel da balança no pleito deste ano.
Defesa do Bolsa Família e críticas ao governo
Um dos pontos centrais da fala de Flávio foi a manutenção do Bolsa Família. O candidato prometeu garantir a continuidade do programa, embora tenha ressalvado que o benefício não deve ser o “final do caminho”. Segundo ele, o foco de uma eventual gestão deve ser a criação de empregos de qualidade para combater o desemprego, citando a realidade de muitos paraibanos que possuem formação técnica ou superior, mas permanecem fora do mercado de trabalho.
A postura atual representa uma mudança de tom em relação ao histórico do próprio candidato e de seu pai. Em 2006, enquanto atuava como deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio chegou a criticar o programa de transferência de renda, classificando-o como um estímulo ao aumento da natalidade. De forma semelhante, Jair Bolsonaro, durante seus mandatos como deputado federal, frequentemente questionava a eficácia do projeto, sugerindo que ele desestimulava a busca por trabalho formal.
Contexto econômico e endividamento das famílias
Além do tema social, o candidato aproveitou o palanque para atacar a política econômica do atual governo. Flávio criticou o programa Desenrola, voltado à renegociação de dívidas, e utilizou dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) para ilustrar o cenário de crise. Segundo o levantamento de abril, 80,9% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida.
O candidato também recorreu a críticas pontuais sobre o custo de vida, ironizando a promessa de campanha de Lula sobre o consumo de carne. “A picanha prometida não chegou”, afirmou, reforçando o discurso de que a atual gestão estaria mantendo a população em situação de vulnerabilidade econômica. Para acompanhar os desdobramentos da corrida eleitoral e análises aprofundadas sobre o cenário político nacional, continue acompanhando o Conexrs, seu portal de informação relevante e atualizada.
Fonte: redir.folha.com.br
