Bradsaúde supera previsões no terceiro trimestre e anuncia R$ 1 bilhão em dividendos

Bradsaúde supera previsões no terceiro trimestre e anuncia R$ 1 bilhão em dividendos

Economia

A Bradsaúde (SAUD3) apresentou números sólidos em seu balanço referente ao terceiro trimestre, comprovando a investidores que a expansão de clientes não exige renúncia à disciplina operacional. O resultado superou as estimativas de analistas do mercado financeiro, sustentado pela contenção de despesas administrativas e pela melhora nos números de subsidiárias estratégicas.

A reação na B3 foi imediata após a divulgação. As ações ordinárias da operadora de saúde ligada ao Bradesco registraram alta expressiva de 5,19%, sendo negociadas a R$ 16,22 por volta do meio-dia, refletindo o otimismo geral com a rentabilidade do grupo.

Equilíbrio entre sinistralidade e expansão de beneficiários

O índice de sinistralidade da companhia atingiu 80,5% no intervalo trimestral, o que representa um avanço marginal de 0,5 ponto percentual em relação aos 80% apurados em igual período do ano anterior. No acumulado dos primeiros nove meses, a oscilação foi de apenas 0,2 ponto percentual, marca considerada positiva diante da forte expansão da base.

A carteira total da companhia alcançou 13,7 milhões de beneficiários, com a adição líquida de 117 mil novas vidas nos segmentos de Saúde e Dental no terceiro trimestre. Apenas na operadora principal, o número de vidas cresceu de cerca de 3,7 milhões para mais de 4,1 milhões, demonstrando a tração comercial.

De acordo com o presidente-executivo da operadora, Carlos Marinelli, o foco está direcionado ao segmento de pequenas e médias empresas, sem abrir mão da cautela na precificação e seleção dos contratos. A empresa também estruturou uma gerência voltada exclusivamente para a performance assistencial da rede credenciada, buscando maior eficiência clínica.

Rentabilidade em alta e avanço do braço hospitalar

O lucro líquido da Bradsaúde no terceiro trimestre somou R$ 1,1 bilhão, avanço de 14,4% na comparação anual. No acumulado de doze meses, o montante alcançou R$ 4,3 bilhões, com retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado de 25,4% e ativos financeiros totais da ordem de R$ 30,8 bilhões.

Grande parte dessa tração decorre do desempenho da Atlântica Hospitais e Participações. O braço de infraestrutura hospitalar gerou lucro líquido acumulado de R$ 139 milhões em doze meses, revertendo o resultado de R$ 4 milhões anotado no período imediatamente anterior.

A administração da companhia mantém a Atlântica como vetor central de alocação de recursos nos próximos anos, acompanhada pelas operações da Novamed em atendimento primário e pelas frentes especializadas em oncologia.

Distribuição de proventos e visão dos bancos

Além da recuperação operacional, a companhia informou a aprovação de R$ 1 bilhão em dividendos adicionais. O diretor financeiro, Vinicius Cruz, ressaltou que a remuneração não compromete os planos de investimentos ou as exigências prudenciais de capital regulatório.

A política vigente assegura repasse mínimo de 50% do lucro líquido anual aos acionistas, tendo como canal prioritário o pagamento de juros sobre capital próprio, montante que já atinge cerca de R$ 500 milhões no exercício.

Relatórios divulgados por BTG Pactual, Itaú BBA e Safra elogiaram a capacidade da empresa de controlar custos operacionais. Analistas apontam espaço para revisões altistas nas projeções de lucros, observando que o lucro acumulado em nove meses já atingiu R$ 3,5 bilhões ante um consenso de mercado projetado em R$ 4,5 bilhões para o encerramento do exercício.