Brasil tem 2 milhões de pessoas que trabalham por meio de aplicativos

Brasil: 2 milhões de trabalhadores atuam por aplicativos em 2025

DESTAQUES Economia

Cerca de 2 milhões de brasileiros se dedicaram a trabalhos por meio de aplicativos em 2025, conforme dados da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE. A maioria desses trabalhadores são autônomos, enfrentando jornadas semanais mais extensas e recebendo menos por hora em comparação aos demais empregados do setor privado.

Trabalho por plataformas digitais

A pesquisa revelou que 1,959 milhão de trabalhadores, o que corresponde a 1,9% do total de ocupados no Brasil, são classificados como “plataformizados”. Desses, aproximadamente 1,2 milhão atuam em aplicativos de transporte de passageiros, como Uber e 99, representando cerca de 58,9% desse grupo.

Perfil dos trabalhadores por aplicativo

Dentre os plataformizados, 376 mil são entregadores de comida e produtos, utilizando plataformas como iFood e Rappi, enquanto 313 mil atuam em serviços gerais, que incluem áreas como design e telemedicina. O setor de transporte, armazenagem e correios se destaca, com 75% dos trabalhadores desse segmento utilizando aplicativos.

Crescimento ao longo dos anos

O IBGE observa que a Pnad sobre trabalho por plataformas ainda está em fase experimental, tendo sido realizada anteriormente em 2022 e 2024. A edição de 2025 registrou 2 milhões de trabalhadores, um aumento significativo em relação aos anos anteriores, mas não é diretamente comparável aos dados anteriores, que consideravam apenas aqueles que tinham o app como principal fonte de renda.

Comparativo de trabalhadores por aplicativo

A evolução do número de trabalhadores que utilizam aplicativos como ocupação principal é a seguinte:

  • 2022: 1,3 milhão
  • 2024: 1,7 milhão
  • 2025: 1,8 milhão

Esse crescimento representa um aumento de 9,1% em um ano e 36,8% em três anos. Entre os entregadores, o número cresceu 18,6% de 2024 para 2025, sendo a única categoria a registrar uma variação de dois dígitos.

Motivações e jornadas de trabalho

Em termos de perfil demográfico, 84,4% dos trabalhadores que utilizam aplicativos como principal ocupação são homens, e 47% têm entre 25 e 39 anos. Quando questionados sobre as razões para trabalhar em plataformas digitais, muitos relataram a dificuldade em encontrar outra forma de emprego, além de apontar a flexibilidade e a possibilidade de ganhos superiores.

Rendimentos e jornada

Em 2025, o rendimento médio mensal para trabalhadores plataformizados foi de R$ 3.147, semelhante ao dos não plataformizados, que foi de R$ 3.148. No entanto, a jornada semanal dos trabalhadores de aplicativos foi de 44,7 horas, em comparação com 39,3 horas dos demais, resultando em um rendimento-hora menor de R$ 16,2, 12% inferior ao dos não plataformizados.

Informalidade e previdência

A pesquisa também expõe a alta taxa de informalidade entre trabalhadores por aplicativo, com 72,1% sem vínculos formais e apenas 34% com cobertura previdenciária. Em contraste, entre os não plataformizados, 42,7% estão na informalidade, com 63% tendo acesso a benefícios previdenciários.

Trabalho autônomo e dependência das plataformas

Surpreendentemente, embora 86,8% dos trabalhadores por aplicativo se considerem autônomos, muitos mostram um grau significativo de dependência das plataformas. Mais de 80% dos motoristas e entregadores afirmou que seus ganhos e prazos dependem totalmente das decisões das empresas que controlam os aplicativos.

Discussões sobre a uberização

A divulgação dos dados ocorre em um contexto de debate sobre a “uberização”, com motoristas e representantes de categorias buscando reconhecimento de vínculo empregatício para assegurar direitos trabalhistas. O STF ainda não decidiu sobre o tema, enquanto um parecer da Procuradoria-Geral da República sugere que não se reconheça esse vínculo.

Com essas transformações no mercado de trabalho, a realidade dos trabalhadores por aplicativo continua a gerar discussões sobre direitos, condições de trabalho e o futuro do emprego no Brasil.