O governo brasileiro ampliou neste sábado (27) a missão de apoio à Venezuela após os terremotos que devastaram o norte do país.
Com o envio de um terceiro avião da Força Aérea Brasileira (FAB), o Brasil reforça a maior operação humanitária internacional realizada pelo país nos últimos anos em apoio ao país vizinho, incluindo hospital de campanha, medicamentos, purificadores de água e equipes especializadas em atendimento a desastres.
A nova aeronave, um KC-390 Millennium, transporta cinco kits de calamidade do Ministério da Saúde — equivalentes a mais de 111 mil medicamentos e insumos hospitalares — além do módulo complementar para a montagem de um hospital de campanha. Segundo o governo federal, o material é suficiente para atender aproximadamente 1.500 pacientes durante um mês, sem comprometer os estoques do Sistema Único de Saúde (SUS).
Operação foi ampliada em menos de 48 horas
A mobilização brasileira começou ainda na sexta-feira (26), quando a primeira aeronave decolou levando cerca de 12 toneladas de equipamentos de busca e salvamento, além de militares, bombeiros e especialistas da Defesa Civil.
Na manhã deste sábado, um segundo voo partiu da Base Aérea do Galeão transportando:
- Unidade Avançada de Trauma da Marinha do Brasil;
- 48 militares responsáveis pela operação do hospital de campanha;
- 100 purificadores de água movidos a energia solar, capazes de tratar cerca de 5 mil litros de água por dia cada.
Poucas horas depois, o governo confirmou o terceiro voo, ampliando significativamente a capacidade de atendimento médico nas áreas mais afetadas pelo desastre.
Hospital de campanha será um dos principais apoios
A expectativa é que a estrutura brasileira permita desafogar hospitais venezuelanos que sofreram danos estruturais ou operam acima da capacidade desde o terremoto.
O hospital de campanha deverá realizar:
- atendimentos de emergência;
- estabilização de vítimas;
- pequenas cirurgias;
- atendimento traumatológico;
- apoio à triagem de feridos.
Além dos medicamentos, seguem equipamentos médicos, materiais de enfermagem, dispositivos para infusão, seringas, luvas, máscaras, gazes, antibióticos, analgésicos e anti-inflamatórios.
Brasil lidera resposta regional
A operação foi autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após solicitação do governo venezuelano e integra um esforço internacional para reforçar as equipes de resgate.
Segundo informações divulgadas neste sábado, aproximadamente 1.600 profissionais estrangeiros já atuam na Venezuela entre bombeiros, equipes médicas, militares e especialistas em salvamento. O Brasil está entre os países que enviaram uma das maiores estruturas de apoio logístico da região.
Corrida contra o tempo
As missões internacionais concentram esforços na localização de sobreviventes presos sob os escombros. Especialistas destacam que as primeiras 72 horas após um terremoto representam a janela crítica para o resgate de vítimas com vida.
Embora as buscas continuem, a operação já começa a migrar gradualmente para uma fase paralela de atendimento médico, fornecimento de água potável e assistência humanitária às milhares de famílias desalojadas.
Desastre já mobiliza toda a América do Sul
O terremoto que atingiu a Venezuela é considerado um dos maiores desastres naturais da história recente do país. O número de mortos continua aumentando à medida que novas áreas devastadas são alcançadas pelas equipes de resgate.
Além do envio de aeronaves e profissionais especializados, o Brasil mantém monitoramento permanente da situação por meio dos ministérios da Defesa, da Saúde, da Integração e Desenvolvimento Regional e das Relações Exteriores, podendo ampliar a ajuda conforme a evolução da emergência humanitária.
