Brasil avança com 20 projetos de carbono no solo na Verra e aposta na agricultura regenerativa

Brasil avança com 20 projetos de carbono no solo na Verra e aposta na agricultura regenerativa

Agro

O Brasil consolida sua posição estratégica no mercado global de ativos ambientais ao registrar 20 projetos voltados ao sequestro de carbono no solo junto à Verra, uma das principais certificadoras internacionais do setor. O movimento reflete o crescente interesse do agronegócio nacional em adotar práticas de agricultura regenerativa, transformando a preservação ambiental em uma possível nova fonte de receita para o produtor rural.

Conforme dados de um estudo recente do RaboResearch, o cenário brasileiro é promissor, mas exige cautela e rigor técnico. Embora o país já conte com duas dezenas de iniciativas em diferentes fases de desenvolvimento, apenas uma delas havia atingido a etapa final de emissão de créditos até o momento da análise. O potencial projetado é expressivo, com estimativas que apontam para a geração de mais de 10 milhões de créditos de carbono anuais, caso as metas de execução e comprovação sejam alcançadas.

Potencial produtivo e práticas regenerativas

A viabilidade desses projetos está intrinsecamente ligada à mudança de manejo nas propriedades. O foco recai sobre técnicas que aumentam a capacidade do solo de reter carbono, como o plantio direto, a rotação de culturas, o uso de culturas de cobertura e a integração lavoura-pecuária. A recuperação de pastagens degradadas é um dos pilares centrais dessa estratégia; estima-se que cerca de 28 milhões de hectares, de um total de 177 milhões dedicados à atividade no Brasil, apresentem algum nível de degradação passível de reversão.

A entrada de um produtor rural em um projeto de carbono segue um rito rigoroso. O processo inicia-se com uma avaliação detalhada do histórico de uso da terra e das práticas já adotadas, estabelecendo uma “linha de base” que servirá como parâmetro para medir os ganhos futuros. A partir daí, o monitoramento torna-se constante, utilizando desde imagens de satélite e análises laboratoriais de solo até auditorias presenciais, garantindo a integridade dos resultados antes da emissão dos créditos.

Desafios operacionais e o mercado regulado

Apesar do otimismo, especialistas alertam que a remuneração é um processo de longo prazo. A comercialização depende da validação independente e da demanda do mercado voluntário, o que exige que o produtor avalie cuidadosamente os custos de implantação frente às obrigações contratuais assumidas. A metodologia VM0042, da Verra, tem servido como referência global para quantificar esses resultados, situando o Brasil como um player relevante, responsável por cerca de 8% das 264 iniciativas identificadas mundialmente.

O ambiente regulatório também passa por transformações. Com a sanção da Lei n° 15.042/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), o país busca organizar o mercado. Contudo, a integração entre o mercado regulado e os créditos gerados no campo ainda depende da regulamentação de normas complementares, o que mantém o setor em uma fase de maturação e adaptação às novas regras de transferência internacional de resultados de mitigação.

O sucesso dessa jornada no Brasil dependerá da capacidade do setor em demonstrar que os ganhos ambientais são mensuráveis, permanentes e economicamente sustentáveis. Para o produtor, o benefício imediato é a melhoria da qualidade do solo e, consequentemente, da produtividade, enquanto a receita extra com créditos de carbono surge como um incentivo adicional para a transição rumo a um modelo de produção cada vez mais sustentável.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br