Grandes nomes da música brasileira, como Caetano Veloso, Maria Bethânia e Daniela Mercury, saíram publicamente em defesa da ministra da Cultura, Margareth Menezes. O movimento de apoio ocorre logo após a repercussão de um manifesto assinado por mais de 200 artistas, intelectuais e profissionais do setor, que questionam os rumos da pasta e cobram mudanças estruturais na política cultural para o próximo mandato do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de 2027.
O documento, que circula com o título “Manifesto por mudanças na Cultura Lula 4”, reuniu assinaturas de figuras expressivas de diversas áreas da cultura nacional, incluindo nomes como Bruno Gagliasso, Johnny Massaro, a escritora Ruth Rocha, o escritor Fernando Morais e a cineasta Anna Muylaert. Embora o texto não mencione o nome de Margareth Menezes diretamente, ele aponta falhas na condução atual e faz duras críticas à forte concentração das políticas culturais em editais de fomento e em mecanismos de renúncia fiscal, exigindo um planejamento estratégico mais abrangente e capilarizado para o setor.
A reação do meio artístico, contudo, dividiu opiniões e gerou um debate intenso sobre os desafios da reconstrução institucional. A cantora Daniela Mercury foi uma das primeiras a se posicionar enfaticamente em prol da permanência da ministra no cargo. Em suas redes sociais, Mercury lembrou o cenário de terra arrasada deixado pela extinção do ministério durante a gestão anterior, de Jair Bolsonaro, e exaltou a capacidade técnica e artística da colega baiana.
“Margareth não é apenas uma grande artista. Ela é uma conhecedora profunda da cultura afro-brasileira e uma exímia produtora e gestora cultural”, escreveu Daniela, reforçando a defesa pela continuidade do trabalho à frente da pasta federal.
Repercussão entre os signatários e apoio de pesos-pesados
A manifestação de apoio ganhou ainda mais força com as publicações de Maria Bethânia e Caetano Veloso. Bethânia utilizou suas redes sociais para compartilhar um registro ao lado da ministra, celebrando a gestão no contexto do Dia Nacional da Cultura, comemorado em 5 de novembro. Já Caetano Veloso publicou uma mensagem de incentivo, na qual apelou por pacificação no meio artístico e prestou reconhecimento ao esforço contínuo de reestruturação do Ministério da Cultura após anos de enfraquecimento institucional.
A repercussão do manifesto também provocou recuos individuais entre os signatários. O ator Johnny Massaro veio a público para esclarecer sua posição e reconheceu que assinou o documento sem a devida atenção ao teor integral do texto. Massaro afirmou ter interpretado de forma equivocada as verdadeiras intenções da mobilização, declarando apoio à equipe atual do ministério e expressando o desejo de que Margareth Menezes permaneça no comando da pasta.
O cenário para o futuro da cultura
A discussão sobre os rumos da política cultural acontece em um momento estratégico de articulação política para o governo federal, de olho no horizonte de 2027. O debate expõe as altas expectativas do setor criativo brasileiro em relação ao poder público, dividindo-se entre aqueles que cobram uma reformulação profunda nos mecanismos burocráticos de repasse de recursos e os que defendem a estabilidade da gestão para consolidar os avanços obtidos até aqui.
Até o momento, o Palácio do Planalto tem demonstrado respaldo à atuação da ministra, reiterando o compromisso de fortalecer a economia criativa e ampliar o acesso à cultura em todo o território nacional. A polêmica evidencia os desafios permanentes de gerir uma pasta historicamente sensível e essencial para a identidade do país.

