Em um cenário onde o Brasil enfrenta o paradoxo de descartar cerca de 30% de tudo o que produz enquanto milhões de pessoas ainda encaram a insegurança alimentar, uma nova iniciativa ganha força nas redes sociais e nos centros de distribuição. A campanha #FazAXepa, promovida pelo programa Brasil Sem Desperdício, propõe uma mudança de paradigma sobre o consumo, incentivando a valorização de alimentos que, embora próprios para o consumo, são descartados por critérios estéticos ou falhas logísticas.
O projeto é fruto de uma cooperação entre as organizações WWF-Brasil e o Waste & Resources Action Programme (Wrap). O objetivo central é sensibilizar a população e o setor produtivo sobre o impacto social e ambiental do descarte precoce. Segundo dados do IBGE, a insegurança alimentar atinge 55 milhões de brasileiros, tornando o combate ao desperdício uma pauta urgente de justiça social e eficiência econômica.
A cultura do descarte e o valor do alimento
Para Luiza Soares, líder do programa Brasil Sem Desperdício, o problema vai além da logística. Existe uma barreira cultural enraizada que associa a beleza externa do alimento à sua qualidade nutricional. “A iniciativa parte da compreensão de que o desperdício não acontece apenas por falta de planejamento, mas também por padrões culturais que nos levam a rejeitar alimentos perfeitamente próprios para consumo por questões estéticas ou pela ideia equivocada de abundância”, explica.
Ao resgatar o termo “xepa” — tradicionalmente associado às sobras de feiras livres vendidas a preços menores ao final do dia —, a campanha busca ressignificar o conceito. A ideia é transformar o que seria descartado em um ingrediente fundamental, tanto na cozinha doméstica quanto em estabelecimentos comerciais, combatendo a ideia de que o alimento “fora do padrão” é inferior.
Engajamento e ações práticas em outubro
O mês de outubro foi escolhido estrategicamente para as ações, culminando no Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro. Durante este período, a campanha conta com a participação da atriz Laila Zaid e da chef Bel Coelho. Elas percorrem feiras e restaurantes populares para promover o debate e demonstrar, na prática, como aproveitar ingredientes maduros ou esteticamente imperfeitos.
As redes sociais das empresas parceiras também se tornaram canais de educação, veiculando vídeos com receitas e entrevistas que ensinam a aproveitar partes de alimentos que costumam ir para o lixo. A meta é tornar o aproveitamento integral uma prática simples e desejável no cotidiano das famílias brasileiras.
Impacto ambiental e responsabilidade coletiva
Além da questão social, o desperdício representa um grave ônus ambiental. Cada alimento descartado carrega consigo toda a energia, água e recursos naturais utilizados em sua produção, transporte e armazenamento. “O desperdício de alimentos é, ao mesmo tempo, uma ineficiência econômica, uma pressão ambiental e uma injustiça social”, reforça Luiza Soares.
A solução, segundo os organizadores, exige uma colaboração multissetorial. A campanha convoca desde o consumidor final até grandes redes de varejo e pesquisadores para que compartilhem inovações e definam novos padrões de comercialização. A transformação, conforme avalia a liderança do programa, não virá de ações isoladas, mas da capacidade de governos, empresas e sociedade civil atuarem em conjunto por um objetivo comum.
O ConexRS segue acompanhando as iniciativas que buscam transformar a realidade social e ambiental do país. Continue conosco para se manter informado sobre temas que impactam o nosso cotidiano, com a credibilidade e a profundidade que você exige.
Fonte: canalrural.com.br

