Câncer de mama em homens: diagnóstico tardio eleva riscos e exige atenção

Câncer de mama em homens: diagnóstico tardio eleva riscos e exige atenção

Saúde

Embora o Outubro Rosa seja amplamente associado à saúde feminina, uma realidade silenciosa desafia o sistema de saúde: o câncer de mama também atinge homens e, com frequência, é identificado apenas em estágios avançados. Dados da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), baseados em registros do Instituto Nacional de Câncer (Inca), revelam que, entre 2020 e 2023, mais de 2 mil casos da doença foram diagnosticados no público masculino no Brasil.

A baixa incidência — que representa menos de 1% dos casos totais da patologia — contribui para um cenário de subnotificação e desconhecimento. O radio-oncologista e presidente da SBRT, Wilson José de Almeida Jr., reforça que a população precisa compreender que o câncer de mama pode acometer homens e, se não tratado precocemente, apresenta um potencial letal significativo.

O desafio do diagnóstico em estágio avançado

O levantamento da SBRT aponta uma disparidade crítica no estadiamento da doença. Enquanto o diagnóstico precoce é o objetivo central para garantir a cura, os homens frequentemente chegam aos serviços de saúde com o tumor em fases III ou IV. Especificamente, 29,95% dos casos masculinos analisados já apresentavam metástase no momento da descoberta, um índice superior ao observado em mulheres.

A rádio-oncologista Denise Ferreira, diretora de comunicação da SBRT, explica que o fator cultural é um dos principais entraves. “Muitos homens demoram a procurar atendimento ao perceber alterações na região por não saberem que podem desenvolver a doença”, afirma. Além disso, a anatomia masculina, com menor volume de tecido mamário, permite que o tumor atinja estruturas adjacentes, como pele e músculos, com maior rapidez.

Fatores de risco e sinais de alerta

O desenvolvimento de tumores mamários em homens está associado a uma combinação de fatores genéticos e hormonais. Mutações hereditárias, histórico familiar, obesidade e alterações nos níveis de estrogênio são apontados por especialistas como elementos que elevam a probabilidade de surgimento da doença. A recomendação médica é clara: qualquer alteração, como o surgimento de caroços, mudanças no mamilo ou secreções, especialmente se houver presença de sangue, deve ser investigada imediatamente.

Tratamento e perspectivas de sobrevida

Apesar do diagnóstico tardio, a medicina oncológica oferece caminhos eficazes. A cirurgia permanece como o pilar do tratamento para casos localizados, podendo ser complementada por quimioterapia, radioterapia e terapia hormonal. A Sociedade Brasileira de Radioterapia destaca que técnicas modernas permitem maior precisão, protegendo tecidos saudáveis durante o processo de irradiação.

As taxas de sobrevida são otimistas quando a intervenção ocorre em tempo hábil. Segundo Denise Ferreira, a sobrevida relativa em cinco anos para homens com câncer de mama supera os 80% no geral, podendo ultrapassar 95% quando o tumor é identificado ainda restrito à mama. O dado reforça que, embora o desafio do diagnóstico seja maior, a possibilidade de cura é real e depende diretamente da agilidade na busca por ajuda médica.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br