Nova tese de investimentos altera rumos da bolsa brasileira e exige cautela na carteira

Nova tese de investimentos altera rumos da bolsa brasileira e exige cautela na carteira

Economia

Não dá para falar de outra coisa. Desde o último fim de semana, a tese de investimentos no Brasil mudou drasticamente e, com ela, o valor justo dos ativos.

Na visão pragmática do mercado, as chances de um ajuste fiscal viraram pó, o que fica mais claro quando olhamos para a taxa de juros que o mercado voltou a cobrar do governo a partir de segunda-feira (26).

E isso tem implicações profundas para os investimentos em ações. Se um desfecho dava ao mercado a esperança de que a Selic pudesse chegar a um dígito em 2028, agora o cenário base se tornou juros persistentemente elevados, talvez se reaproximando de 15% no pior cenário.

O que muda para os seus investimentos?

Sendo bastante direto, é hora de ter mais dólar, mais renda fixa e ações mais defensivas na carteira. Mais especificamente com relação às ações, se antes havia espaço para carregar teses mais dependentes de uma melhora macro, esse espaço praticamente sumiu.

Pode até ser que tenhamos alguma sinalização no âmbito fiscal que ajude a aliviar as preocupações. Mas é recomendável fazer algumas alterações na carteira para deixá-la mais preparada para um ambiente mais difícil.

A primeira coisa a fazer é reduzir a exposição às empresas mais cíclicas e endividadas, especialmente varejistas, incorporadoras de alta renda e locadoras. Essas podem até ser as maiores beneficiadas de uma melhora macro, mas serão bastante impactadas caso isso não se concretize.

Como proteger a carteira com ativos defensivos

Agora é o momento de colocar na carteira teses mais defensivas, menos dependentes da atividade econômica, pouco endividadas e, em alguns casos, com maior exposição ao dólar.

Pensando nisso, houve um aumento na exposição em WEG (WEGE3), que tem mais da metade da receita vinda de fora e ainda se beneficia fortemente dos investimentos em eletrificação e data centers.

Outro nome que faz sentido é Itaú (ITUB4), que já se provou em outros momentos difíceis e está preparado para entregar o mesmo desempenho positivo desta vez. Por fim, não se esqueça de deixar uma parcela da carteira em caixa para reduzir o risco e aproveitar eventuais oportunidades de compra.