Polícia investiga no RS suspeita de pirâmide após queda de site com perdas milionárias de clientes

Polícia investiga no RS suspeita de pirâmide após queda de site com perdas milionárias de clientes

Rio Grande do Sul

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul abriu investigação para apurar uma suspeita de pirâmide financeira envolvendo a empresa Capittal X, após dezenas de investidores relatarem perdas milionárias com o fechamento repentino da plataforma digital. O caso tramita na Delegacia de Proteção aos Direitos do Consumidor, com dezenas de vítimas identificadas e prejuízos que podem alcançar dezenas de milhões de reais.

Durante meses, os usuários acompanhavam o suposto rendimento do capital diretamente pelo celular, conseguindo realizar saques sem grandes dificuldades. Contudo, o cenário mudou drasticamente quando o sistema saiu do ar, deixando centenas de pessoas sem acesso aos recursos aplicados em criptomoedas, dólar e ações por meio de transferências e Pix.

Investigação policial e crimes apurados

As autoridades policiais buscam esclarecer a ocorrência de crimes contra o sistema financeiro nacional, estelionato e lavagem de dinheiro. A apuração inicial aponta que a empresa não possuía autorização do Banco Central para atuar como instituição financeira no mercado nacional.

A delegada responsável pelo inquérito destaca que há indícios consistentes de um esquema em pirâmide, modelo no qual os aportes de novos participantes sustentam o pagamento dos antigos até a interrupção no fluxo de caixa. O trabalho investigativo agora foca em determinar se houve dolo deliberado por parte dos gestores para ludibriar os clientes e obter vantagem econômica ilícita.

Impacto financeiro e relatos das vítimas

Entre os afetados estão servidores públicos, empresários e aposentados que depositaram economias de uma vida inteira na promessa de rentabilidade. Diversos depoimentos revelam que planos de longo prazo, sonhos e a segurança financeira da aposentadoria evaporaram da noite para o dia.

Alguns investidores registraram prejuízos individuais na casa dos milhões de reais, comprometendo integralmente o patrimônio acumulado ao longo de décadas de trabalho. Os valores eram movimentados por meio de ferramentas digitais comuns, como o Pix, o que facilitava os aportes frequentes.

Defesa e justificativas da empresa

A defesa legal da Capittal X sustenta que a atuação da companhia ocorreu de forma regular desde 2019 na intermediação de criptoativos. Os representantes legais afirmam que os contratos alertavam expressamente sobre a alta volatilidade e a possibilidade real de perdas financeiras por parte dos usuários.

Segundo a nota oficial assinada pelos advogados, dificuldades operacionais surgiram após eventos globais no mercado de criptomoedas, culminando na paralisação das atividades. A defesa argumenta ainda que propostas de recomposição foram apresentadas aos clientes e que os responsáveis seguem à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.