Com IA própria, GHC economiza R$ 7,2 milhões após migração para o mercado livre de energia

Com IA própria, GHC economiza R$ 7,2 milhões após migração para o mercado livre de energia

Saúde

Redução no custo ocorreu em menos de dois anos após a mudança no modelo de abastecimento
O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) economizou R$ 7,2 milhões no gasto com energia elétrica, menos de dois anos depois da migração para o mercado livre de energia. Entre janeiro e dezembro de 2025, a instituição poupou R$ 3,8 milhões; outros R$ 3,4 milhões foram economizados até o momento em 2026. A redução ocorreu no fornecimento de energia elétrica aos hospitais do grupo, todos com atendimento 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O novo modelo reduziu pela metade o custo por kW/h, unidade de medida que calcula o consumo de energia elétrica. Além do impacto financeiro, a mudança contratual fez com que 67,2% da energia consumida pela instituição passasse a ser proveniente de fontes limpas e renováveis, como a bioenergia, gerada a partir do bagaço da cana-de-açúcar, e a energia fotovoltaica, originada no uso de placas solares.

Anteriormente abastecido pela rede convencional de energia, o GHC optou, em 2024, pela migração contratual para a chamada “energia incentivada”, que inclui biomassa, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), energia eólica e energia solar.

“Esse modelo de contratação oferece vantagens tributárias e permite que o consumidor escolha diretamente seus fornecedores de energia, estimulando a disputa de preços, enquanto a distribuidora local permanece responsável apenas pela infraestrutura física de transmissão e distribuição da rede”, explica João Vinícius Schultz, engenheiro elétrico do GHC.

A transição exigiu adequações físicas nas subestações do GHC, que totalizaram um investimento de quase R$ 250 mil, montante recuperado no primeiro mês de operação devido à diferença tarifária obtida com o novo contrato de energia livre.

Planejamento e mitigação de riscos
No entanto, a nova operação exigiu adaptações estratégicas. Isso porque, no mercado livre, a compra é feita antecipadamente e deve considerar o gasto do período do contrato. Se a projeção errar, quem compra precisará pagar mais caro para garantir o abastecimento. Ou seja, uma avaliação ruim do consumo projetado pode anular a economia esperada.

“Para contornar esse risco e assegurar que o consumo permanecesse dentro dos limites do contrato, desenvolvemos uma inteligência artificial baseada em redes neurais para fazer o cálculo. Ela usa um banco de dados do que foi consumido no passado e faz uma projeção do que precisará ser comprado para os próximos anos, com uma margem de erro que garante a segurança”, resume Schultz.

Em 2024, antes da adoção do novo modelo, a IA feita no GHC projetou a demanda e o consumo do Hospital Cristo Redentor (HCR) para 2025 e 2026. Os resultados foram validados com uma empresa especializada em gestão de energia contratada pela instituição.

Planejamento estratégico
O estudo feito no HCR serviu de base para cálculos de projeção no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), no Hospital Criança Conceição (HCC), no Hospital Fêmina (HF), na UPA Moacyr Scliar, na Central de Logística e Suprimentos (Celog) e no Centro Administrativo, todos atualmente abastecidos com energia limpa.

O Centro de Apoio ao Diagnóstico e Terapia (CADT) e o Pronto-Socorro de Pelotas, ambos em construção, também adotarão o novo modelo de abastecimento. Além disso, a instituição tem iniciativas de uso de placas solares em unidades de saúde e planeja expandir a adoção do mercado livre de energia para o Hospital Federal Bonsucesso (HFB), no Rio de Janeiro.

Crédito: InPacto/GHC/Divulgação

Fonte: manual-1790616606478