As consultas médicas por lesões pré-cancerígenas no colo do útero em adolescentes apresentaram uma redução expressiva após a implementação da campanha de vacinação contra o papilomavírus humano, conhecido como HPV, no Sistema Único de Saúde (SUS). O levantamento científico, divulgado na publicação especializada Human Vaccines & Immunotherapeutics, consolida novos indicativos acerca da efetividade do programa público de imunização no território nacional.
O vírus é apontado como o principal agente causador do câncer de colo do útero, patologia que costuma avançar a partir de alterações celulares iniciais sem o devido acompanhamento clínico. A atuação da vacina ocorre justamente na prevenção primária da infecção viral, bloqueando o surgimento de neoplasias intraepiteliais cervicais de alto grau e impedindo a progressão para tumores malignos.
Impacto da vacinação contra o HPV no público jovem
Desde o ano de 2014, o SUS disponibiliza o imunizante voltado ao público infantojuvenil feminino, expandindo a cobertura preventiva para o sexo masculino em 2017. Atualmente, o esquema vacinal concentra-se na faixa etária compreendida entre os 9 e os 14 anos. Os registros históricos demonstram oscilações iniciais seguidas por uma curva descendente acentuada nos atendimentos ambulatoriais.
Em 2011, o total de adolescentes atendidas na rede pública por esta condição atingiu 474 casos, avançando para 603 ocorrências em 2015. Nos anos seguintes, contudo, observou-se uma retração contínua, com 299 consultas registradas em 2019 e um recuo para 136 atendimentos em 2023.
Evolução das taxas e comparação com outras infecções
Para anular distorções demográficas associadas ao crescimento populacional, os pesquisadores calcularam a incidência proporcional a cada grupo de 100 mil adolescentes. O índice recuou de 7,1 em 2015 para 1,8 em 2023, sendo esta a única faixa etária a exibir reduções expressivas em consonância direta com a introdução da vacinação em massa.
Em contrapartida, a análise de outras infecções sexualmente transmissíveis revelou movimento oposto nos serviços ambulatoriais para o mesmo grupo etário. A taxa de procura médica para diagnósticos distintos saltou de 1,7 no ano de 2015 para 10,8 no encerramento de 2023, descartando alterações comportamentais gerais como causa principal para a queda nas lesões pré-cancerígenas.
Projeções estatísticas e panorama do câncer no Brasil
As projeções estatísticas calculadas pelo estudo apontam que milhares de procedimentos cirúrgicos e terapêuticos foram evitados ao longo da última década em virtude da barreira imunológica. O quantitativo real de primeiras consultas entre 2011 e 2019 ficou em 2.620, enquanto a projeção sem a cobertura vacinal indicaria cerca de 7.688 registros no mesmo intervalo.
No cenário nacional, o câncer de colo do útero figura como o terceiro tipo de maior incidência entre as mulheres, somando aproximadamente 19 mil novos diagnósticos anuais e cerca de 7 mil óbitos. Especialistas em saúde pública ressaltam a necessidade de manter altas coberturas populacionais para viabilizar as metas globais de controle da doença.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

