Estudo aponta eficácia superior da paromomicina no controle da diarreia em bezerras

Estudo aponta eficácia superior da paromomicina no controle da diarreia em bezerras

Agro

A pecuária leiteira enfrenta um desafio constante nas primeiras semanas de vida dos animais: a criptosporidiose. Causada pelo protozoário Cryptosporidium parvum, essa enfermidade é uma das principais responsáveis por quadros de diarreia neonatal, que comprometem o desenvolvimento, o ganho de peso e a sobrevivência das bezerras. Um novo estudo científico, conduzido em uma fazenda comercial em Descalvado (SP), trouxe luz a uma comparação importante entre dois tratamentos amplamente utilizados no setor.

Comparativo entre paromomicina e halofuginona

A pesquisa, publicada em agosto na revista Veterinary and Animal Science, acompanhou 70 bezerras da raça Holandesa. O objetivo foi avaliar a eficácia da paromomicina em relação à halofuginona no controle da infecção após exposição natural ao agente. Durante o período de observação, os pesquisadores notaram uma disparidade significativa nos resultados clínicos entre os dois grupos de animais.

Os dados revelaram que as bezerras tratadas com halofuginona apresentaram uma chance 4,93 vezes maior de desenvolver diarreia quando comparadas ao grupo que recebeu paromomicina. Além disso, o grupo tratado com halofuginona registrou 3,4 vezes mais dias com sintomas de diarreia e demandou 1,93 vez mais intervenções de terapia de suporte para a recuperação da saúde.

Impacto no desenvolvimento e ganho de peso

A diferença na saúde dos animais refletiu diretamente no desempenho zootécnico. Embora ambos os grupos apresentassem um peso médio idêntico de 42,9 quilos ao início do tratamento, aos cinco dias de vida, o cenário mudou rapidamente. Aos 14 dias, as bezerras que receberam paromomicina apresentaram um peso corporal superior, com uma diferença estatisticamente significativa em relação ao grupo que utilizou halofuginona.

A incidência da doença também seguiu cronologias distintas. Enquanto o grupo tratado com paromomicina manteve a incidência de diarreia próxima de zero até o décimo dia, o grupo que recebeu halofuginona apresentou casos mais precoces, com a taxa de ocorrência superando os 60% entre o décimo e o 11º dia de vida. A eliminação de oocistos de C. parvum nas fezes também foi monitorada, mostrando um pico de excreção mais pronunciado nos animais tratados com halofuginona.

A importância do manejo sanitário

Para a autora principal do estudo, Bianca Santarosa, os resultados reforçam a necessidade de um controle rigoroso da criptosporidiose, focando não apenas na presença do parasita, mas nos efeitos clínicos diretos sobre o animal. A redução da duração da diarreia na fase neonatal é crucial para evitar desidratação e desequilíbrios eletrolíticos que podem ser fatais ou deixar sequelas no crescimento do rebanho.

O estudo, realizado em condições de campo, oferece aos produtores rurais e veterinários dados concretos para a tomada de decisão no manejo sanitário de bezerras. A paromomicina, princípio ativo presente em soluções como o Parofor, demonstra ser uma ferramenta eficaz para mitigar os prejuízos causados por esse protozoário em sistemas de produção intensiva. Para mais informações sobre saúde animal e inovações no campo, continue acompanhando o ConexRS, seu portal de referência em notícias relevantes e atualizadas.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br