Crise no IAC: falta de pesquisadores interrompe programas genéticos

Crise no IAC: falta de pesquisadores interrompe programas genéticos

Agro

O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) enfrenta uma crise significativa com a interrupção de dez programas de melhoramento genético devido à falta de pesquisadores. Esta situação, destacada por um levantamento da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), afeta culturas estratégicas como soja, arroz, algodão e trigo, essenciais para a agricultura brasileira.

Impacto da falta de pesquisadores no IAC

O Centro de Grãos e Fibras do IAC, localizado na Fazenda Santa Elisa, em Campinas, viu suas pesquisas serem interrompidas devido à aposentadoria ou falecimento de pesquisadores sem a devida reposição. As culturas afetadas incluem arroz, crotalária, algodão, mamona, girassol, gergelim, aveia, trigo, triticale e soja. A falta de novos profissionais ameaça não apenas a continuidade dos programas, mas também a manutenção dos bancos de germoplasma, fundamentais para o desenvolvimento de novas cultivares.

Desafios na manutenção de germoplasma

Os bancos de germoplasma são cruciais para a preservação de características genéticas valiosas, como resistência a doenças e tolerância a condições climáticas adversas. A manutenção desses bancos requer não apenas armazenamento, mas também a multiplicação e avaliação periódica dos materiais. A perda de germoplasma de girassol, após o falecimento de uma pesquisadora, exemplifica os riscos envolvidos.

Histórico de redução de pessoal no IAC

Desde 2009, o IAC vem alertando sobre a redução de seu quadro de pesquisadores. Naquele ano, um relatório técnico já indicava que, sem reposição, o número de cientistas poderia cair drasticamente. Atualmente, o Centro de Grãos e Fibras conta com apenas sete pesquisadores, uma redução significativa que impacta diretamente a capacidade de inovação e desenvolvimento do instituto.

Reforma na carreira de pesquisador científico

A recente reforma na carreira de Pesquisador Científico, implementada pela Lei Complementar nº 1.435/2025, alterou a estrutura de progressão funcional e extinguiu o Regime de Tempo Integral. Essas mudanças, ainda aguardando regulamentação, têm gerado incertezas e contribuído para a saída de pesquisadores para outras instituições, como a Embrapa, que oferecem melhores condições de trabalho.

O futuro dos programas de melhoramento genético

O futuro dos programas de melhoramento genético do IAC depende de ações urgentes para recompor seu quadro de pesquisadores. A continuidade desses programas é vital para o avanço da agricultura no Brasil, garantindo a adaptação das culturas às mudanças climáticas e a resistência a novas pragas e doenças. A situação atual exige uma resposta coordenada entre governo e instituições de pesquisa para evitar um apagão científico que poderia ter consequências duradouras para o setor agrícola.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br