A construção de empresas perenes exige, além de competência técnica, uma base sólida fundamentada em valores compartilhados e uma gestão de pessoas que priorize o propósito comum. Durante o GAFFFF 2026, evento de referência no setor, Guilherme Benchimol, fundador da XP Inc., e Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, debateram como a cultura organizacional e a liderança estratégica atuam como motores fundamentais para o sucesso e a competitividade dos negócios no cenário atual.
A metodologia da cultura como diferencial competitivo
Para Guilherme Benchimol, o erro comum de muitas organizações é tratar a cultura como um conceito abstrato, quando, na verdade, ela deve ser encarada como um processo metodológico. O executivo defende que os valores de uma empresa precisam ser traduzidos em práticas cotidianas, orientando desde a tomada de decisão até a forma como as equipes interagem entre si e com o mercado.
Benchimol relembrou sua trajetória como professor, fase em que identificou a carência de educação financeira no país, o que serviu de base para a criação da XP. Segundo ele, entender a dor do cliente e atuar para saná-la é o que constrói a confiança necessária para a longevidade. “O mal é barulhento e o bem é silencioso”, afirmou o empresário, ao destacar que atitudes positivas e o compartilhamento de histórias reais podem servir de combustível para inspirar novas gerações de empreendedores.
O papel da liderança na formação de times
Plinio Nastari, por sua vez, trouxe uma perspectiva complementar ao enfatizar que o desempenho técnico, embora essencial, não é suficiente para a sustentabilidade de uma organização. O presidente da DATAGRO alertou para o risco de promover executivos baseando-se apenas em métricas de produtividade, sem considerar o alinhamento cultural do indivíduo com a empresa.
Para Nastari, a liderança eficaz é aquela que valoriza a troca de experiências e a construção coletiva. Ele destacou que, no agronegócio, essa característica é muito forte: o produtor rural brasileiro, historicamente resiliente e ávido por tecnologia, possui uma cultura de compartilhamento de soluções que, segundo o dirigente, deveria ser um exemplo para outros setores da economia nacional.
Lições do agronegócio para a gestão moderna
O debate no GAFFFF 2026 também serviu para traçar um paralelo entre a resiliência do campo e os desafios do mundo corporativo. A transmissão de conhecimento entre gerações, comum nas propriedades rurais, é apontada como uma prática que preserva valores e permite a adaptação constante às novas tecnologias. Essa capacidade de aprender e ensinar, segundo os debatedores, é o que garante que empresas não apenas cresçam, mas se mantenham competitivas diante das incertezas do mercado.
A convergência entre os pontos de vista de Benchimol e Nastari reforça que, independentemente do setor, a gestão de pessoas e a clareza de valores são os verdadeiros diferenciais de mercado. Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo, a capacidade de conectar indivíduos em torno de um objetivo comum permanece como o ativo mais valioso de qualquer organização.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br

