Um homem de 41 anos foi preso em Butiá, na Região Metropolitana de Porto Alegre, sob a acusação de forjar mais de cem ocorrências policiais contra mulheres com quem mantinha ou tentava manter vínculos afetivos no Rio Grande do Sul. A ação conduzida pela Polícia Civil aponta que o suspeito utilizava o sistema digital para atacar e constranger as vítimas sempre que era rejeitado ou que elas tentavam afastar-se dele.
A investigação aponta que a conduta do suspeito envolvia crimes de denunciação caluniosa e violência psicológica. O g1 RS acompanha os desdobramentos de casos de violência contra a mulher na região. As autoridades policiais destacam que o volume impressionante de registros falsos sobrecarregou os canais oficiais de atendimento e expôs dezenas de mulheres a constrangimentos e danos emocionais severos.
A dinâmica dos crimes virtuais e presenciais
O investigado, identificado como Tiago de Souza Oliveira, utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para se aproximar das vítimas, apresentando-se frequentemente como músico. Enquanto alguns vínculos permaneciam restritos ao ambiente digital, outros evoluíam para encontros presenciais, segundo os relatos colhidos ao longo da apuração policial.
Quando as mulheres demonstravam o desejo de encerrar a relação, o comportamento do homem mudava drasticamente. Depoimentos indicam que ele passava a proferir ameaças de morte, cometeu episódios de extorsão e praticou agressões físicas contra algumas das parceiras que buscaram romper o contato.
O uso sistemático de falsas denúncias policiais
A delegada responsável pelo caso, Jusicleia Oliveira, explicou que o modus operandi do suspeito consistia em contra-atacar judicialmente sempre que as vítimas procuravam delegacias para pedir medidas protetivas. Utilizando a Delegacia Online, ele registrava boletins falsos imputando crimes como calúnia e ameaça às próprias mulheres.
- Mais de cinquenta registros falsos foram contabilizados somente no ano de 2026.
- Somando o período anterior, o total superou a marca de cem ocorrências fraudulentas.
- A maioria das comunicações continha acusações inverídicas para intimidar as vítimas.
- O investigado alegou em depoimento que tentava se defender de situações lesivas.
A prisão em flagrante na delegacia
O cerco policial se fechou na manhã da última sexta-feira, quando o próprio investigado compareceu à delegacia de Butiá com a intenção de abrir mais um boletim de ocorrência. Desta vez, ele pretendia acusar uma moradora de Canoas de tê-lo difamado e praticado autolesão.
Enquanto o homem prestava declarações, os agentes cruzaram os dados nos sistemas e descobriram que a mulher citada já havia registrado denúncia na véspera. Ela relatou ter sido agredida e tido imagens íntimas expostas sem autorização após tentar terminar o breve relacionamento. Com o mandado respaldado pelo Ministério Público e pela Justiça, ele terminou autuado em flagrante.

