Deputados acionam Ministério Público após Ricardo Nunes chamar Haddad de 'professorzinho'

Deputados acionam Ministério Público após Ricardo Nunes chamar Haddad de ‘professorzinho’

Política

Representação questiona uso da profissão como termo depreciativo

Um grupo de parlamentares protocolou representações junto ao Ministério Público de São Paulo contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB). A medida foi motivada por uma declaração feita pelo chefe do Executivo municipal durante uma convenção do Republicanos, na qual ele se referiu ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), utilizando o termo “professorzinho”.

As ações são assinadas pela deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL), pelo deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) e pelo vereador paulistano Celso Giannazi (PSOL). O grupo busca não apenas uma retratação pública por parte do prefeito, mas também a adoção de medidas extrajudiciais que impeçam autoridades de utilizar a profissão de docente como um adjetivo pejorativo ou de menosprezo no debate político.

Argumentos sobre violência simbólica contra a categoria

No documento enviado ao Ministério Público, os parlamentares argumentam que o uso da expressão “professorzinho” carrega um juízo de valor depreciativo. Segundo os autores, a fala de Ricardo Nunes transmite a mensagem de que a docência seria uma condição inferior ou desabonadora, o que, na visão dos signatários, extrapola o limite da crítica política e atinge a dignidade da classe educadora.

“Quando o próprio prefeito utiliza a palavra ‘professor’ como ofensa, a desvalorização deixa de ser apenas retórica e adquire evidente dimensão institucional”, afirmam os parlamentares no texto da representação. A crítica central é que o discurso de autoridades públicas pode legitimar o desrespeito social contra profissionais da educação.

Consequências e registro no Observatório Nacional

Além da ação no Ministério Público, os parlamentares formalizaram uma representação junto ao Observatório Nacional de Violência contra Professores. O objetivo é que a entidade manifeste repúdio oficial às falas do prefeito e registre o episódio como um caso de violência simbólica. Para os autores, a violência contra educadores não se limita a agressões físicas, mas também se manifesta por meio de narrativas que buscam desqualificar a importância social da docência.

O episódio ocorreu durante um evento político em que Ricardo Nunes projetava o cenário eleitoral, afirmando que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) venceria Fernando Haddad ainda no primeiro turno. Na ocasião, o prefeito utilizou termos como “incompetente” e “sem vergonha” ao lado da referência à profissão do ministro, intensificando o clima de embate entre as correntes políticas envolvidas.

O Conexrs segue acompanhando os desdobramentos desta representação e os posicionamentos das partes envolvidas. Para manter-se informado sobre os fatos que movimentam a política nacional e regional, continue acompanhando nossa cobertura diária, pautada pela apuração rigorosa e pelo compromisso com a transparência informativa.

Fonte: redir.folha.com.br