Do plástico de luxo aos sapatos de dança: o retorno dos calçados controversos

Do plástico de luxo aos sapatos de dança: o retorno dos calçados controversos

DESTAQUES Economia

O universo da moda vive um momento de resgate estético marcado por escolhas que, até pouco tempo atrás, seriam consideradas inusitadas ou restritas a nichos específicos. O mais recente Lyst Index, termômetro global que mapeia o comportamento de consumo no setor, revelou que itens que dividem opiniões — como os sapatos de plástico e os modelos inspirados em calçados de dança — figuram agora no topo da lista de desejos dos consumidores.

Essa movimentação reflete uma mudança no padrão de consumo, onde o luxo passa a dialogar com materiais sintéticos e silhuetas que priorizam a leveza. O levantamento, divulgado na quarta-feira, 5, destaca como grandes grifes estão reinterpretando peças que, historicamente, foram associadas tanto à infância quanto ao ambiente técnico dos palcos, transformando-as em protagonistas das coleções atuais.

A ascensão dos calçados de plástico no mercado de luxo

Os chamados jelly shoes, calçados fabricados em PVC ou TPU, retornaram com força total ao cenário fashion. Embora o material tenha sido um pilar na indústria de calçados brasileira por décadas, ele ganha uma nova camada de sofisticação ao ser adotado por marcas internacionais. A SKIMS, fundada por Kim Kardashian, foi um dos nomes que impulsionou essa tendência ao lançar seu modelo em abril de 2025, com foco em design funcional e ventilação, comercializado a cerca de US$ 58.

A Chloé elevou o patamar da tendência ao apresentar o Jelly Mule, que conquistou a quinta posição entre os produtos mais buscados do trimestre. Com um valor de mercado próximo a US$ 670, o modelo exemplifica como a estética translúcida deixou de ser uma opção casual para se tornar um artigo de desejo com valor agregado. A aposta dessas marcas reforça uma estética que expõe os pés, desafiando conceitos tradicionais de calçados formais.

A influência dos sapatos de jazz nas passarelas

Outro movimento notável é a transição dos jazz shoes do estúdio de dança para o cotidiano urbano. Esse fenômeno é impulsionado pelo sucesso das sneakerinas, que abriram caminho para calçados de perfil baixo e alta flexibilidade. O modelo Zizi, da francesa Repetto, serve como referência histórica para essa silhueta, que agora é revisitada por diretores criativos de peso.

Michael Rider, ao apresentar sua estreia para a Celine no Resort 2026, consolidou o retorno dessa estética. A tendência também foi endossada pela Bottega Veneta durante a Semana de Moda de Milão, onde a marca exibiu sua própria interpretação do calçado. A busca por esses modelos indica que o público está migrando de tênis robustos para opções mais delicadas e minimalistas, sem abrir mão do conforto.

O retorno dos loafers e a busca por elegância informal

O cenário atual também reserva espaço para o loafer, um clássico que se reinventa para atender às demandas contemporâneas. Após anos de domínio dos tênis no guarda-roupa diário, o consumidor busca alternativas que tragam uma aparência mais arrumada, mas que ainda conservem a praticidade. A italiana Ilio Smeraldo é um exemplo dessa transição, expandindo sua linha para incluir modelos como o Saint Germain e o Rivoli.

A fundadora da marca, Barbara Borghini, destacou em entrevista ao WWD que a estratégia inclui a exploração de novas categorias, como sapatilhas refinadas. Essa diversificação mostra que o mercado está atento a um consumidor que deseja transitar entre o formal e o casual com versatilidade. O loafer, que já foi símbolo de status através do icônico horsebit da Gucci, surge agora em versões mais leves e desestruturadas.

O Conexrs segue acompanhando as transformações do mercado de luxo e as mudanças no comportamento de consumo global. Continue conosco para se manter informado sobre as tendências que moldam o estilo de vida e a economia, sempre com a profundidade e a credibilidade que a sua rotina exige.

Fonte: seudinheiro.com