O mercado financeiro brasileiro iniciou o mês de outubro sob forte influência do cenário externo, com o dólar voltando a superar a marca de R$ 5,20. No fechamento desta quinta-feira (1º), a moeda norte-americana registrou alta de 0,88%, sendo cotada a R$ 5,2204. O movimento reflete um dia de aversão ao risco, impulsionado pela escalada dos preços do petróleo e pelo fortalecimento global da divisa dos Estados Unidos.
Pressão externa e o impacto do petróleo
O principal vetor de instabilidade no pregão foi o comportamento das commodities e a geopolítica internacional. O barril do Brent para dezembro encerrou o dia com uma valorização expressiva de 4,37%, atingindo US$ 102,31. A alta foi motivada por tensões envolvendo o Irã e possíveis restrições norte-americanas às exportações de diesel, o que eleva a preocupação global com a inflação e a trajetória dos juros nos Estados Unidos.
O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,58%, atingindo 102,040 pontos. Este patamar coloca o indicador em seus níveis mais elevados desde março de 2025, sinalizando que a busca por proteção em ativos considerados mais seguros tem drenado liquidez de mercados emergentes ao redor do mundo.
Resiliência do real frente a pares emergentes
Apesar da pressão vendedora, o real apresentou um desempenho menos acentuado de queda quando comparado a outras moedas de países emergentes. Enquanto o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano sofreram desvalorizações que variaram entre 1,20% e 1,70%, a moeda brasileira conseguiu limitar suas perdas, mantendo uma volatilidade controlada diante do cenário adverso.
Analistas apontam que fatores domésticos, especialmente a proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo (4), atuaram como um contrapeso. A expectativa de que um bom desempenho de Flávio Bolsonaro nas urnas possa sinalizar uma redução nos prêmios de risco fiscal ajudou a sustentar o valor da moeda nacional, evitando uma depreciação mais severa durante o pregão.
Cenário eleitoral e perspectivas econômicas
O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, destaca que o câmbio tem sido moldado por uma combinação complexa de variáveis. Além da política, o mercado monitora de perto o impacto de fenômenos climáticos, como o El Niño, que pressiona os preços das commodities agrícolas, e a valorização do petróleo, que impacta diretamente a inflação interna.
A percepção de que a vitória de uma candidatura de oposição poderia trazer maior previsibilidade ao quadro fiscal brasileiro é um dos pontos centrais nas mesas de operação. Enquanto o cenário político não se define, a tendência é que o mercado continue reagindo com cautela, alternando momentos de estresse com breves pausas de otimismo, sempre atento aos desdobramentos da política monetária norte-americana.
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Fonte: canalrural.com.br

