O impacto do desmonte da Usaid na política regional
O filho mais velho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Jr., utilizou as redes sociais nesta segunda-feira (5) para traçar uma conexão direta entre a política externa do governo republicano e o cenário eleitoral na América Latina. Segundo ele, o desmonte da Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) teria sido o fator determinante para que forças de esquerda deixassem de vencer pleitos presidenciais na região.
A declaração ocorreu poucas horas após a definição do primeiro turno das eleições no Brasil, que levará o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o atual presidente Lula (PT) ao segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro. Para o empresário, a ausência da agência americana, que teve sua estrutura praticamente extinta sob a gestão de seu pai, teria interrompido um fluxo de financiamento que, segundo sua tese, favorecia grupos específicos.
Acusações de interferência e o papel de Elon Musk
Sem apresentar evidências documentais, Donald Trump Jr. afirmou que bilhões de dólares dos contribuintes americanos eram direcionados a ONGs, redes de ativistas e programas de promoção da democracia que, na visão do empresário, atuavam de forma coordenada. Ele classificou essas iniciativas como uma forma de “interferência eleitoral” e “golpe” político em países estrangeiros.
No centro desse discurso, o filho do presidente destacou a atuação de Elon Musk. Segundo Trump Jr., o bilionário teve um papel fundamental ao expor e liderar os esforços para o desmantelamento da estrutura da agência. Elon Musk também se manifestou sobre o tema, reiterando que a Usaid teria se envolvido em mudanças de regime ao redor do mundo, o que, segundo ele, gerou conflitos internacionais.
Contexto histórico da agência e repercussões
A Usaid foi criada em 1961, durante a gestão de John F. Kennedy, com o objetivo de centralizar a assistência externa dos Estados Unidos e promover o desenvolvimento em nações parceiras. Historicamente, a agência é vista como um braço do soft power americano, embora a tese de que ela favoreça grupos de esquerda seja uma narrativa recorrente entre alas conservadoras nos Estados Unidos e em outros países.
Organizações beneficiárias e ex-integrantes do governo americano contestam veementemente as acusações, argumentando que o financiamento visa fortalecer instituições democráticas e direitos humanos, independentemente da orientação ideológica dos governos locais. A retórica de Donald Trump Jr., contudo, ressoa com sua base de apoio e com seus laços estreitos com a família Bolsonaro, especialmente com Eduardo Bolsonaro, com quem mantém uma relação próxima desde 2018.
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Fonte: redir.folha.com.br

