El Niño pode ser o mais forte das últimas décadas e acende alerta global para clima e produção de alimentos

Meio Ambiente

Fenômeno climático deve ganhar força no segundo semestre e pode impactar agricultura, economia e padrões de chuva em diversos continentes

O Serviço Meteorológico da Austrália anunciou que o fenômeno El Niño já está oficialmente em formação no Oceano Pacífico tropical e poderá se transformar em um dos eventos mais intensos registrados desde a década de 1950. O alerta foi emitido após a confirmação de temperaturas oceânicas acima dos níveis considerados normais e indicadores atmosféricos compatíveis com a consolidação do fenômeno.

Segundo os meteorologistas australianos, cerca de metade dos modelos climáticos utilizados atualmente aponta para um cenário de El Niño forte ou muito forte nos próximos meses. Caso as projeções se confirmem, o evento poderá atingir intensidade semelhante aos grandes episódios registrados em 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016, considerados alguns dos mais severos da história recente.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global, provocando mudanças significativas nos regimes de chuva, temperatura e ocorrência de eventos extremos em diversas regiões do planeta.

Os impactos já preocupam governos e produtores rurais. Na Ásia, especialistas alertam para riscos de secas prolongadas e ondas de calor que podem comprometer lavouras de arroz, trigo e outros alimentos básicos. Nas Américas, por outro lado, a tendência é de aumento das chuvas em determinadas regiões, elevando o risco de enchentes e deslizamentos.

No Brasil, os primeiros estudos indicam que o fenômeno poderá provocar um inverno menos rigoroso, com temperaturas acima da média em várias áreas do país. Também existe a expectativa de aumento das chuvas na Região Sul, enquanto áreas do Norte e Nordeste podem enfrentar períodos mais secos ao longo dos próximos meses.

A possibilidade de um “Super El Niño” levou o governo federal a criar uma Sala de Situação Interministerial para monitorar riscos e coordenar ações preventivas. A preocupação envolve desde impactos na agricultura e geração de energia até possíveis desastres naturais relacionados ao excesso ou à falta de chuvas.

Especialistas também destacam que os efeitos do fenômeno podem ser potencializados pelas mudanças climáticas globais. O aquecimento do planeta tende a intensificar eventos extremos, tornando secas, enchentes e ondas de calor mais severas do que em episódios anteriores de El Niño.

Para o setor econômico, o acompanhamento do fenômeno será fundamental nos próximos meses. Alterações climáticas de grande escala costumam influenciar diretamente a produção agrícola, os preços dos alimentos, o abastecimento hídrico e até mesmo indicadores de inflação em diversos países.