Ato pró-Flávio Bolsonaro no Mackenzie é marcado por clima de festa e ataques transfóbicos

Ato pró-Flávio Bolsonaro no Mackenzie é marcado por clima de festa e ataques transfóbicos

Política

Um clima de festa, embalado por funk e discursos políticos, tomou conta da rua Maria Antônia, em São Paulo, na noite desta quarta-feira (14). Estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie reuniram-se em uma manifestação de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. O ato, que buscou demonstrar a força da juventude de direita, foi convocado pelo deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP), o nome mais votado do estado no pleito.

O cenário histórico da mobilização

A escolha do local para o protesto carrega um peso simbólico significativo. A rua Maria Antônia foi palco, em 1968, durante o período da ditadura militar, de um confronto histórico entre estudantes do Mackenzie e da antiga sede da Universidade de São Paulo (USP). Décadas depois, o espaço voltou a ser o epicentro de uma polarização política acentuada, desta vez protagonizada por uma nova geração de universitários que defende a retomada das instituições de ensino por pautas conservadoras.

Discursos e o episódio de transfobia

Durante o evento, o deputado eleito Lucas Pavanato discursou para os presentes, reforçando críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O momento de maior tensão ocorreu quando o parlamentar mencionou a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Em resposta a uma declaração anterior da deputada, que afirmou não ter afinidades políticas com Pavanato ou Nikolas Ferreira (PL-MG), o deputado disse aos apoiadores que “nós temos sim algo em comum”.

Imediatamente, parte da multidão entoou um coro transfóbico contra a parlamentar. Embora Pavanato tenha solicitado calma aos manifestantes e não tenha acompanhado o cântico, a repercussão do episódio foi imediata. Questionado pela reportagem sobre possíveis desdobramentos jurídicos por transfobia, o deputado argumentou que sua fala se referia a características comuns aos seres humanos e ao fato de ambos ocuparem cargos legislativos, destacando sua votação expressiva no estado.

Reação da direita no cenário eleitoral

A manifestação no Mackenzie integra uma estratégia da direita bolsonarista para reagir à intensa mobilização de jovens de esquerda, que têm ocupado as ruas de diversas capitais brasileiras desde o segundo turno das eleições. O cenário eleitoral permanece acirrado, após o primeiro turno realizado no dia 4, onde Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A disputa tem levado movimentos sociais e entidades estudantis a organizarem atos em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Recife e Manaus.

Contexto institucional da universidade

O evento ocorreu apesar de uma diretriz interna da Universidade Presbiteriana Mackenzie. No último dia 6, a instituição, reconhecida por sua tradição em São Paulo, proibiu a realização de manifestações partidárias dentro do campus localizado em Higienópolis. O ato, portanto, concentrou-se na via pública, mantendo a tensão política que permeia o ambiente universitário brasileiro neste período de campanha. Para acompanhar os desdobramentos desta eleição e manter-se informado sobre os fatos que movimentam o cenário nacional e regional, continue acompanhando o ConexRS. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística séria, plural e atenta aos acontecimentos que definem o futuro do Brasil. Acompanhe nossas atualizações diárias e aprofunde-se nos temas que impactam a sociedade.

Fonte: redir.folha.com.br