Caminhos distintos na reta final da campanha
A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições, as campanhas de Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo evidenciam estratégias divergentes para conquistar o eleitorado paulista. Enquanto o petista busca reduzir sua alta rejeição e confrontar o adversário, o atual governador aposta em uma narrativa focada na continuidade de sua gestão, evitando temas espinhosos como as privatizações.
O cenário eleitoral, consolidado pelas recentes medições do Datafolha, coloca Tarcísio de Freitas na liderança, com 49% das intenções de voto. Fernando Haddad, por sua vez, aparece com 29%. O desafio do ex-prefeito de São Paulo é contornar o índice de 48% de rejeição, um obstáculo que tem pautado o tom de sua propaganda eleitoral na televisão.
O embate sobre privatizações e gestão
Na propaganda veiculada nesta quarta-feira (23), Haddad adotou uma postura de ataque direto. O candidato do PT utilizou imagens da cadeira vazia de Tarcísio no debate da TV Record, realizado na segunda-feira (21), para questionar a postura do atual governador. A ausência de Tarcísio foi justificada por sua equipe como decorrência de compromissos oficiais de gestão.
O programa de Haddad também focou em um de seus principais pontos de divergência com o atual governo: o modelo de desestatização. O petista prometeu revisar contratos de privatização, citando especificamente a Sabesp, os pedágios no sistema Free Flow e a CPTM. “Sob o meu comando, o estado vai colocar o interesse do usuário na frente do interesse do setor privado”, afirmou o candidato, buscando atrair o eleitorado crítico às concessões.
A aposta na continuidade e no apoio social
Em contrapartida, Tarcísio de Freitas mantém uma estratégia de distanciamento do confronto direto. Em sua peça publicitária, o governador não menciona o adversário nem as polêmicas sobre as privatizações. O foco recai sobre uma narrativa de suporte estatal em todas as fases da vida do cidadão, desde a educação infantil até programas de assistência para mães de crianças atípicas.
A campanha de Tarcísio busca consolidar a imagem de um gestor técnico, destacando a capacitação técnica para jovens e o apoio a empreendedores. Ao evitar o debate sobre as desestatizações, o governador tenta blindar sua candidatura contra as críticas que apontam falhas ou descontentamento popular com os serviços concedidos à iniciativa privada, mantendo o foco nos resultados que considera positivos de sua administração.
O apelo ao eleitorado indeciso
O encerramento da peça de Haddad trouxe um apelo direto ao eleitor, pedindo que as “paixões políticas” sejam deixadas de lado em prol de uma análise das propostas. A tentativa é clara: furar a bolha da rejeição e convencer o eleitorado que ainda se mostra indeciso ou que busca uma alternativa à atual gestão. Com a proximidade do pleito, a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes entra em sua fase mais decisiva, onde cada minuto de TV e cada declaração ganham peso redobrado na decisão final nas urnas.
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Fonte: redir.folha.com.br
