A rotina democrática de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, teve um momento de forte simbolismo neste domingo (25). A eleitora Olga Zanella, de 106 anos, saiu de casa pela manhã para cumprir o que considera um dever inegociável e fez questão de ir votar, demonstrando vitalidade e apego à cidadania em mais um pleito.
Mesmo dispensada de qualquer obrigatoriedade legal há 36 anos — visto que a legislação brasileira torna o voto facultativo para maiores de 70 anos —, a idosa mantém o hábito antigo e não demonstra qualquer intenção de parar. Acompanhada pela filha, ela compareceu à Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Catulo da Paixão Cearense para registrar seu posicionamento na urna eletrônica.
Cidadania mantida ao longo de mais de um século
A trajetória de Olga Zanella cruza diretamente com a própria história da conquista dos direitos políticos no Brasil. Nascida em uma época em que as mulheres sequer podiam participar dos processos eleitorais, ela viu de perto as transformações institucionais do país ao longo das décadas.
O sufrágio feminino foi oficialmente garantido em 24 de fevereiro de 1932, por meio do Decreto 21.076 assinado pelo então presidente Getúlio Vargas. Para quem testemunhou essa restrição histórica, poder participar ativamente da escolha de governantes permanece sendo um ato dotado de profundo significado cívico e pessoal.
A importância da participação para as novas gerações
Questionada sobre a longevidade de sua participação nas urnas, a eleitora demonstrou simplicidade e firmeza diante da importância do momento. “Nem me lembro há quanto tempo que eu voto, mas eu sempre venho”, declarou momentos antes de se dirigir à cabine de votação.
A presença da idosa mobilizou a atenção de mesários, eleitores e equipes de reportagem presentes no local de votação em Caxias do Sul. Para ela, a escolha dos representantes que comandarão o país e o estado pelos próximos anos continua sendo um exercício coletivo indispensável que exige o comparecimento de todos, independentemente da idade.

