Queda de 23% no eleitorado adolescente em 2026 é puxada por mulheres

Queda de 23% no eleitorado adolescente em 2026 é puxada por mulheres

DESTAQUES Política

O recuo na participação juvenil

O cenário eleitoral de 2026 apresenta um desafio para a democracia brasileira: a redução significativa no número de adolescentes de 16 e 17 anos aptos a votar. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que o contingente de jovens eleitores caiu 23% em comparação ao pleito presidencial de 2022. Enquanto há quatro anos o país contava com 2,1 milhões de eleitores nessa faixa etária, o número atual é de 1,6 milhão.

Essa retração não pode ser explicada apenas por mudanças demográficas. Segundo projeções do IBGE, a população de adolescentes entre 16 e 17 anos teve uma diminuição de 5,6% no mesmo período. Portanto, a queda de 23% no eleitorado aponta para um desinteresse crescente ou barreiras burocráticas que afastam o jovem das urnas antes que o voto se torne obrigatório.

Impacto de gênero na abstenção

Um dos pontos mais relevantes do levantamento é o comportamento diferenciado entre os gêneros. As mulheres adolescentes foram as principais responsáveis pela queda, registrando uma redução de 26% em relação a 2022. Entre os homens jovens, a diminuição foi de 19%.

O fenômeno ocorre em um contexto de polarização política. Estudos indicam que o voto masculino jovem tem se inclinado para candidatos de direita com perfil conservador, enquanto o voto feminino adolescente tende a convergir para pautas progressistas e candidatos de esquerda. A ausência de campanhas institucionais robustas, voltadas especificamente para o público que possui o voto facultativo, acaba por desestimular o engajamento desses novos eleitores.

Barreiras burocráticas e desinteresse

Para muitos jovens, a experiência de tirar o título de eleitor ainda é marcada por entraves logísticos. A estudante Raika Milena, de 16 anos, moradora da zona leste de São Paulo, exemplifica a percepção de parte dessa geração. Ao ouvir relatos sobre filas e dificuldades no atendimento para a emissão do documento, a jovem optou por adiar o processo.

“De qualquer forma, vou ter um título quando completar 18 anos. Já que não precisa, não vou ver isso agora”, relata a estudante. Esse desestímulo, somado à falta de uma comunicação que conecte o impacto do voto à realidade cotidiana dos adolescentes, cria um vácuo de representatividade que se reflete diretamente nas estatísticas do TSE.

A relevância do voto facultativo

Embora os jovens de 16 e 17 anos representem apenas 1% do eleitorado total de 2026 — ante 1,4% em 2022 —, o peso desse grupo não deve ser subestimado. Em disputas acirradas, como a última eleição presidencial, na qual a diferença entre os candidatos foi de apenas 1,8% dos votos válidos, qualquer parcela do eleitorado pode ser decisiva.

A desmobilização desse segmento sugere uma necessidade urgente de revisão nas estratégias de incentivo à cidadania. O fortalecimento da democracia passa, necessariamente, pela inclusão das novas gerações no debate público. Para acompanhar os desdobramentos das eleições de 2026 e análises aprofundadas sobre o comportamento do eleitorado brasileiro, continue acompanhando o Conexrs, seu portal de referência para informações relevantes e contextualizadas.

Fonte: redir.folha.com.br