A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária deu aval para o uso do triticale, um cereal obtido pelo cruzamento entre trigo e centeio, na alimentação humana. Testes realizados em parceria com a iniciativa privada indicam que a farinha derivada do grão pode substituir parcialmente ou totalmente a farinha de trigo em diversos produtos, com destaque para a fabricação de biscoitos.
As análises conduzidas avaliaram o comportamento do cereal em diferentes formulações e apontaram que o ingrediente entrega crocância e firmeza satisfatórias. Essa característica técnica reduz a necessidade de aditivos químicos em linhas de produção industrial, abrindo espaço para novas estratégias de formulação de massas e produtos de confeitaria.
Testes industriais e aplicações práticas
Durante as avaliações técnicas com diferentes formulações, os especialistas observaram que a substituição varia conforme o tipo de alimento produzido. Em biscoitos moldados e produtos de corte a arame, a troca pela farinha alternativa pode atingir índices elevados sem perda de qualidade estrutural.
Por outro lado, em preparações que dependem de uma rede de glúten mais elástica, como pães e massas secas, o comportamento do ingrediente exige cautela. A menor força de glúten e a alta atividade enzimática limitam o uso puro, tornando necessárias misturas equilibradas com a farinha tradicional para evitar perdas de volume e textura.
Histórico e adaptação no Brasil
O cereal chegou às lavouras brasileiras na década de 1980, impulsionado por trabalhos iniciais de adaptação de cultivares trazidas do México. Historicamente concentrada na Região Sul, a cultura encontrou espaço principal na produção de forragem e na fabricação de ração animal para suínos e aves.
Com o avanço do melhoramento genético e o registro de novas cultivares, pesquisadores passaram a testar o potencial produtivo da planta em outras regiões agrícolas. Experimentos recentes conduzidos em áreas irrigadas demonstraram produtividades expressivas, revelando a rusticidade e a adaptabilidade do vegetal a solos ácidos e períodos de estiagem.
Perspectivas para o mercado nacional
A expansão do uso do cereal na culinária e na indústria de alimentos integrais reflete o interesse crescente por matérias-primas rústicas e funcionais. Embora o cultivo voltado para a alimentação humana ainda figure de forma tímida nas estatísticas oficiais, o avanço das pesquisas agronômicas sinaliza uma transformação gradual no perfil produtivo do campo.
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Fonte: canalrural.com.br

