As emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançaram R$ 2,41 bilhões em agosto, registrando o maior volume mensal do ano de 2026, segundo levantamento da Quantum Finance. Apesar da recuperação na comparação com os meses anteriores, o resultado ficou 63,8% abaixo dos R$ 6,65 bilhões registrados em agosto de 2025.
No acumulado de janeiro a agosto, as novas operações movimentaram R$ 10,22 bilhões, uma redução de 54,2% frente aos R$ 22,33 bilhões emitidos no mesmo intervalo do ano passado. O desempenho revela um mercado com ritmo mais moderado de captações, mas que mantém o crescimento do estoque e forte movimentação no mercado secundário.
impacto das novas regras e custos de captação
A redução nas emissões reflete um ambiente de análise mais rigorosa por parte de empresas e investidores. Fatores como custo de captação, qualidade do crédito, garantias e liquidez dos títulos ganharam peso decisivo nas operações do mercado financeiro voltado ao setor agropecuário.
Para Amanda Coura, fundadora da Zera, as mudanças normativas também ajudam a explicar a desaceleração observada ao longo de 2026. A Resolução CMN nº 5.212, publicada em maio de 2025, restringiu o universo de empresas elegíveis, aproximando a utilização do instrumento de sua finalidade original, mas limitando o acesso de novos emissores.
comportamento do estoque e mercado secundário
Mesmo com a retração nas novas operações, o estoque total de CRA atingiu R$ 174,95 bilhões ao fim de agosto, representando uma alta de 7,5% sobre os R$ 162,78 bilhões contabilizados no mesmo período de 2025. O saldo apresentou relativa estabilidade ao longo do ano, mantendo-se próximo aos patamares anteriores.
Paralelamente, o mercado secundário seguiu aquecido, movimentando R$ 6,63 bilhões em agosto. No acumulado de janeiro a julho, o volume negociado chegou a R$ 51,72 bilhões, um avanço de 4,2% em relação aos R$ 49,66 bilhões registrados no intervalo equivalente do ano anterior, conforme dados divulgados pela Ministério da Agricultura e Pecuária.
diversificação com fiagros e cprs
A dinâmica do financiamento agrícola tem passado por transformações na composição das estruturas utilizadas. Enquanto os CRAs mantêm sua relevância, outros instrumentos como os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagros) e as Cédulas de Produto Rural (CPR) ampliam sua participação no setor.
- Ofertas de Fiagros somaram R$ 9,9 bilhões entre janeiro e agosto de 2026.
- Estoque de CPRs alcançou R$ 600,3 bilhões em agosto.
- Títulos da Camil lideraram as negociações mensais com R$ 217,7 milhões.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br

